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Uma boa dica para quem está estudando língua inglesa para o CACD é a coleção Tradução em Contexto, da editora Lexikos. O objetivo da coleção é apresentar ao leitor alguns contos de um mesmo autor, em inglês, acompanhados de sua contrapartida em português.

O texto fonte, em inglês, é apresentado nas páginas pares dos livros, enquanto o texto de chegada, em português, é apresentado nas páginas ímpares dos livros, o que facilita o estudo comparado da obra original e do texto traduzido. Além disso, os livros estão recheados de notas culturais e de notas de tradução, as quais são de grande valia para quem quer entender mais sobre as escolhas que deve fazer um tradutor ao longo do processo tradutório. Por fim, cada conto é seguido de alguns exercícios de compreensão de texto e de uso da língua, todos acompanhados de gabarito.

O primeiro livro lançado foi o dos contos de Mark Twain: os três contos que compõem esse volume são unidos pela temática do dinheiro (e das relações humanas que se estabelecem por causa dele). O segundo livro é o dos contos de M. R. James, que contém seis contos no gênero ghost story.

A série é um ótimo material para quem quer desenvolver a compreensão de texto, a competência lexical e as habilidades de tradução.

Cheers!

AE - divulgação.2019.12

Participe do curso on-line Argumentative Essay e aprenda a organizar seu texto na Composition!

O curso é a respeito do quesito “organização do texto e desenvolvimento do tema” da Composition, da prova de inglês de segunda fase.
Composition vale 50% da nota total da prova de inglês de segunda fase, e o quesito “organização do texto e desenvolvimento do tema” vale metade da nota dessa tarefa. Isso significa que esse quesito, sozinho, vale 25% da nota total da prova de inglês: mais do que a Translation Part B, mais do que o Summary e mais do que a Translation Part A. 
Ou seja, para ter uma boa nota na prova de inglês de segunda fase, é preciso saber como a banca examinadora espera que os candidatos organizem esse texto e desenvolvam o tema, e para isso é fundamental conhecer as convenções associadas ao gênero textual argumentative essay.

Inscrições abertas para a turma de dezembro! Para mais informações, escreva para contato@cacdingles.com!

Cheers!

CACD-aid.2019

Quer ajuda na interposição de recursos contra os resultados provisórios da prova de segunda fase de língua inglesa? Envie sua prova e seu espelho para contato@cacdingles.com!

Analisarei as possibilidades de interposição de recursos, principalmente no que diz respeito ao quesito “correção gramatical e propriedade da linguagem” das quatro tarefas.

Esse serviço é oferecido free of charge! Só peço que, depois, os candidatos me enviem as respostas aos recursos.

Cheers!

 

Argumentative Essay

Na tarefa Composition, na prova de inglês de segunda fase, a banca examinadora espera que os candidatos desenvolvam um texto no gênero argumentative essay, que tem convenções bastante específicas no que diz respeito à forma como o texto deve ser organizado. Conhecer as convenções desse gênero textual é, portanto, essencial para garantir uma boa nota no quesito “organização do texto e desenvolvimento do tema”, que vale 50% da nota total da Composition.

No curso on-line Argumentative Essay, você aprenderá como organizar melhor suas compositions, em termos de pre-writing, while-writing e post-writing activities. Daremos atenção especial às convenções associadas à escrita da introduction, dos argumentative paragraphs e da conclusion.

Após o curso, você pode ter uma redação avaliada pela professora, com correções detalhadas e sugestão de plano de estudos: basta contratar o pacote curso + correção.

Não há lista de espera para este curso, mas as vagas são limitadas. Para receber mais informações sobre o curso e garantir sua vaga, escreva para contato@cacdingles.com!

Cheers!

Curso Regular CACD 2020

Estou abrindo algumas vagas para o Curso Regular para o CACD 2020!

Se você está na lista de espera para esse curso, fique de olho em sua caixa de e-mails.

Nosso curso regular é particular, à distância, com base em simulados e contínuo.

Quer mais informações? Acesse cacdingles.com ou escreva para contato@cacdingles.com.

“So difficult it is to show the various meanings and imperfections of words when we have nothing else but words to do it with.”

~John Locke

 

Por muito tempo, as palavras foram pensadas como a principal unidade gramatical e lexical. Gramaticalmente, conhecemos as palavras como verbos, substantivos, adjetivos, advérbios… Em termos de léxico, os dicionários são normalmente organizados em verbetes, em ordem alfabética, os quais correspondem a palavras.  Nessa forma de ver a linguagem, um texto seria uma sequência de palavras sintaticamente organizadas. Para produzir um texto, portanto, bastaria escolher quaisquer palavras ‘que fazem sentido’ e organizá-las de acordo com as regras gramaticais.

A essa visão da linguagem subjaz a presunção de que a gramática é regular e de que o léxico é irregular, ou seja, de que há padrões gramaticais a ser observados na construção de um texto (concordância, transitividade etc.), mas de que não haveria algo como “padrões lexicais”. No entanto, o desenvolvimento da linguística de corpus, nas últimas décadas, nos abre os olhos para o exato oposto dessa presunção: o léxico não é “irregular”; as palavras em um texto não estão organizadas apenas por relações sintáticas, mas também por relações lexicais; os padrões sintáticos e os padrões lexicais não podem ser separados.

Isso pode parecer uma conversa “muito técnica” para quem está “só” estudando inglês para passar no CACD (muitas aspas por aqui rs), mas assim como a dicotomia entre gramática e léxico tem sido questionada, a dicotomia entre teoria e prática também precisa ser repensada. Afinal, quem está “só” estudando inglês para passar no CACD será avaliado por uma banca que conhece a teoria e que espera que a prática dos candidatos esteja alinhada a ela (como veremos em comentários da própria banca abaixo).

Por isso, para quem está “só” estudando inglês para passar no CACD, é absolutamente fundamental, em seus estudos de vocabulário e de produção de texto em língua inglesa, pensar a questão do sentido para além das palavras isoladas. Neste artigo, discutirei como a escolha de palavras para um texto é limitada tanto por restrições gramaticais quanto por restrições lexicais. Abordarei os conceitos de collocation e colligation, e a relevância dessa discussão “muito técnica” para seus estudos de língua inglesa para o CACD.

Collocation

Se abrirmos um thesaurus (um dicionário de sinônimos) no verbete strong, encontraremos entre seus sinônimos a palavra powerful. Isso significa que seus sentidos são semelhantes. No entanto, é natural dizer, em inglês, I prefer strong tea, mas não I prefer powerful tea. Isso porque, ao escolhermos usar a palavra tea, existe, concomitantemente, uma co-seleção de adjetivos que são, de fato, usados com essa palavra. Essa co-ocorrência frequente de palavras é o que chamamos de collocation. Assim, nas palavras de Mona Baker, “meaning cannot always account for collocational patterning”: muito embora a palavra powerful isoladamente faça “sentido”, ela simplesmente não é usada em combinação com tea.

Isso acontece porque as palavras tendem a ocorrer juntas e a formar sentidos em sua combinação. É a combinação que faz sentido, não a palavra individualmente. Como explica John Sinclair, “the flow in meaning is not from the item [word] to the text but form the text to the item [word]”. Dou um exemplo paradigmático: na collocation “white wine”, white não quer dizer “something that is the same color of milk or snow”. White wine is not “white”! Mas o adjetivo white ganha sentido porque a combinação lhe confere sentido. Existe, portanto, uma interdependência entre a palavra e as outras palavras que a cercam. Quando essa dependência é lexical, ela e chamada de collocation.

Esse fenômeno da collocation não é restrito a uns poucos casos: a maior parte dos sentidos necessita da presença de mais palavras para sua realização. É por isso que John Sinclair afirma que “the word is not the best starting-point for a description of meaning, because meaning arises from words in particular combination”. Não estou aqui discutindo phrasal verbs, idiomatic expressions, set phrases ou provérbios; nesses casos, é bem óbvio que não há independência entre as palavras: ao escolher uma das palavras que formam essas multi-word expressions, já automaticamente co-selecionamos todas as outras. A discussão aqui é sobre a escolha de palavras em geral. Um texto não deve ser pensando como uma série de escolhas de palavras independentes: há padrões de combinações que são responsáveis pelo sentido, pela naturalidade, pela espontaneidade do texto. Nas pesquisas mencionadas por John Sinclair, cerca de 80% da ocorrência de palavras se dá não por escolhas independentes, mas sim por co-seleção. Em suas palavras, “a large proportion of the word occurrence is the result of co-selection—that is to say, more than one word is selected in a single choice”.

Dessa forma, ainda segundo Sinclair, “complete freedom of choice, then, of a single word is rare”. Ao escolhermos uma palavra para usar em um texto, automaticamente já devemos co-selecionar outras, não só com base em seus sentidos, mas sim em com qual frequência elas de fato ocorrem com a palavras que já selecionamos. Afinal, de acordo com Sinclair, “language is characterized by having hundreds of thousands of meanings that are not in fact available”.

O que vimos até agora, ao discutirmos collocation, é que 1) não existe liberdade completa na escolha de palavras, já que são as combinações que conferem sentido às palavras e que 2) por isso mesmo, a palavra como menor unidade lexical é algo muito problemático em termos de sentido. O léxico é, ao contrário do que muitos pensam, altamente “regular”: há tendências fraseológicas, padrões lexicais, que precisam ser observados para que de fato se produza sentido em um texto. Assim, a escolha de palavras é limitada por restrições lexicais.

Colligation

A escolha de palavras, além disso, também é limitada por restrições gramaticais. A escolha de uma só palavra pode determinar um padrão sintático. Por exemplo, se quero usar a palavra able, em uma construção como “capaz de fazer algo”, automaticamente já seleciono o complemento desse adjetivo: able to do something, não “able of doing something”. Já quando seleciono o substantivo possibility, em uma construção como “possibilidade de fazer algo”, automaticamente já seleciono o complemento: possibility of doing something, não “possibility to do something”. Não há uma “regra gramatical” aqui; o que se observa é o fenômeno da colligation, que é a co-ocorrência de palavras com escolhas gramaticais. Ao usar a palavra able naquela construção, é preciso co-selecionar o verbo no infinitivo; ao usar a palavra possibility naquela construção, é preciso co-selecionar o sintagma preposicional. A co-seleção, aqui, afeta a gramaticalidade do texto.

Mais uma vez, vemos como a escolha de palavras não é livre: ao selecionar uma palavra, já selecionamos, inclusive, padrões sintáticos. A gramática, portanto, não é autônoma ou completamente separada do léxico.

Relevância para o CACD

Não há dúvidas de que a banca conhece e reconhece tais padrões lexicais e sintáticos. Copio, aqui, alguns comentários escritos pelo examinador em respostas a recursos interpostos no CACD 2017:

“A colocação correta para o contexto é ‘on’, como no exemplo ‘She’s by far the biggest influence on my writing’.”

“’Surprising for’ mal aparece em corpora em geral e quando o faz, raramente se trata de fonte confiável, que siga os preceitos da norma culta”

“A expressão ‘to create something in aspects’ carece de idiomaticidade, pois as regras de colocação foram violadas aqui.”

“Há, aqui, um erro de colocação. A escolha lexical ‘afffordable dream’ não é uma combinação viável, pois carece de idiomaticidade.”

“Há, aqui, um erro de colocação. A escolha lexical ‘handle negotiations’ não é uma combinação viável, pois carece de idiomaticidade. Verbos que se colocam com ‘negotiations’ são, entre outros, ‘enter into, open, conduct.”

“A combinação lexical ‘unavoidable countries’ carece de idiomaticidade. Ferem-se, aqui, as leis de colocação.”

 

Cito aqui também alguns exemplos de textos de candidatos em que a parte grifada foi considerada errada por causa de colligation:

He also argued that the homogeneous aspects of capital flows are still to capable to impose their global power.

Although one cannot agree with Carl Gustav Jung about the difficulty to disturb the security (…)

Fica mais do que patente, considerando todos os exemplos acima, que collocations e colligation não são preocupações “muito técnicas” para quem “só” estuda inglês para passar no CACD: a banca reconhece, em suas correções e respostas a recursos, que a escolha de palavras não é livre e que há padrões lexicais e sintáticos que devem ser observados. E isso é algo que deve interferir na forma como você estuda vocabulário e produção de texto para o concurso! No próximo post, discutirei algumas estratégias de estudo para candidatos que sabem que é preciso pensar além das palavras isoladas para produzir textos com “correção gramatical e propriedade da linguagem”, um critério de correção que existe para todas as quatro tarefas da prova discursiva de inglês no CACD.

Cheers!

 

Bilbliografia

Mona Baker. In Other Words: a coursebook on translation. Routledge, 2011.

John Sinclair. Trust the Text: language, corpus and discourse. Routledge, 2004.