“So difficult it is to show the various meanings and imperfections of words when we have nothing else but words to do it with.”

~John Locke

 

Por muito tempo, as palavras foram pensadas como a principal unidade gramatical e lexical. Gramaticalmente, conhecemos as palavras como verbos, substantivos, adjetivos, advérbios… Em termos de léxico, os dicionários são normalmente organizados em verbetes, em ordem alfabética, os quais correspondem a palavras.  Nessa forma de ver a linguagem, um texto seria uma sequência de palavras sintaticamente organizadas. Para produzir um texto, portanto, bastaria escolher quaisquer palavras ‘que fazem sentido’ e organizá-las de acordo com as regras gramaticais.

A essa visão da linguagem subjaz a presunção de que a gramática é regular e de que o léxico é irregular, ou seja, de que há padrões gramaticais a ser observados na construção de um texto (concordância, transitividade etc.), mas de que não haveria algo como “padrões lexicais”. No entanto, o desenvolvimento da linguística de corpus, nas últimas décadas, nos abre os olhos para o exato oposto dessa presunção: o léxico não é “irregular”; as palavras em um texto não estão organizadas apenas por relações sintáticas, mas também por relações lexicais; os padrões sintáticos e os padrões lexicais não podem ser separados.

Isso pode parecer uma conversa “muito técnica” para quem está “só” estudando inglês para passar no CACD (muitas aspas por aqui rs), mas assim como a dicotomia entre gramática e léxico tem sido questionada, a dicotomia entre teoria e prática também precisa ser repensada. Afinal, quem está “só” estudando inglês para passar no CACD será avaliado por uma banca que conhece a teoria e que espera que a prática dos candidatos esteja alinhada a ela (como veremos em comentários da própria banca abaixo).

Por isso, para quem está “só” estudando inglês para passar no CACD, é absolutamente fundamental, em seus estudos de vocabulário e de produção de texto em língua inglesa, pensar a questão do sentido para além das palavras isoladas. Neste artigo, discutirei como a escolha de palavras para um texto é limitada tanto por restrições gramaticais quanto por restrições lexicais. Abordarei os conceitos de collocation e colligation, e a relevância dessa discussão “muito técnica” para seus estudos de língua inglesa para o CACD.

Collocation

Se abrirmos um thesaurus (um dicionário de sinônimos) no verbete strong, encontraremos entre seus sinônimos a palavra powerful. Isso significa que seus sentidos são semelhantes. No entanto, é natural dizer, em inglês, I prefer strong tea, mas não I prefer powerful tea. Isso porque, ao escolhermos usar a palavra tea, existe, concomitantemente, uma co-seleção de adjetivos que são, de fato, usados com essa palavra. Essa co-ocorrência frequente de palavras é o que chamamos de collocation. Assim, nas palavras de Mona Baker, “meaning cannot always account for collocational patterning”: muito embora a palavra powerful isoladamente faça “sentido”, ela simplesmente não é usada em combinação com tea.

Isso acontece porque as palavras tendem a ocorrer juntas e a formar sentidos em sua combinação. É a combinação que faz sentido, não a palavra individualmente. Como explica John Sinclair, “the flow in meaning is not from the item [word] to the text but form the text to the item [word]”. Dou um exemplo paradigmático: na collocation “white wine”, white não quer dizer “something that is the same color of milk or snow”. White wine is not “white”! Mas o adjetivo white ganha sentido porque a combinação lhe confere sentido. Existe, portanto, uma interdependência entre a palavra e as outras palavras que a cercam. Quando essa dependência é lexical, ela e chamada de collocation.

Esse fenômeno da collocation não é restrito a uns poucos casos: a maior parte dos sentidos necessita da presença de mais palavras para sua realização. É por isso que John Sinclair afirma que “the word is not the best starting-point for a description of meaning, because meaning arises from words in particular combination”. Não estou aqui discutindo phrasal verbs, idiomatic expressions, set phrases ou provérbios; nesses casos, é bem óbvio que não há independência entre as palavras: ao escolher uma das palavras que formam essas multi-word expressions, já automaticamente co-selecionamos todas as outras. A discussão aqui é sobre a escolha de palavras em geral. Um texto não deve ser pensando como uma série de escolhas de palavras independentes: há padrões de combinações que são responsáveis pelo sentido, pela naturalidade, pela espontaneidade do texto. Nas pesquisas mencionadas por John Sinclair, cerca de 80% da ocorrência de palavras se dá não por escolhas independentes, mas sim por co-seleção. Em suas palavras, “a large proportion of the word occurrence is the result of co-selection—that is to say, more than one word is selected in a single choice”.

Dessa forma, ainda segundo Sinclair, “complete freedom of choice, then, of a single word is rare”. Ao escolhermos uma palavra para usar em um texto, automaticamente já devemos co-selecionar outras, não só com base em seus sentidos, mas sim em com qual frequência elas de fato ocorrem com a palavras que já selecionamos. Afinal, de acordo com Sinclair, “language is characterized by having hundreds of thousands of meanings that are not in fact available”.

O que vimos até agora, ao discutirmos collocation, é que 1) não existe liberdade completa na escolha de palavras, já que são as combinações que conferem sentido às palavras e que 2) por isso mesmo, a palavra como menor unidade lexical é algo muito problemático em termos de sentido. O léxico é, ao contrário do que muitos pensam, altamente “regular”: há tendências fraseológicas, padrões lexicais, que precisam ser observados para que de fato se produza sentido em um texto. Assim, a escolha de palavras é limitada por restrições lexicais.

Colligation

A escolha de palavras, além disso, também é limitada por restrições gramaticais. A escolha de uma só palavra pode determinar um padrão sintático. Por exemplo, se quero usar a palavra able, em uma construção como “capaz de fazer algo”, automaticamente já seleciono o complemento desse adjetivo: able to do something, não “able of doing something”. Já quando seleciono o substantivo possibility, em uma construção como “possibilidade de fazer algo”, automaticamente já seleciono o complemento: possibility of doing something, não “possibility to do something”. Não há uma “regra gramatical” aqui; o que se observa é o fenômeno da colligation, que é a co-ocorrência de palavras com escolhas gramaticais. Ao usar a palavra able naquela construção, é preciso co-selecionar o verbo no infinitivo; ao usar a palavra possibility naquela construção, é preciso co-selecionar o sintagma preposicional. A co-seleção, aqui, afeta a gramaticalidade do texto.

Mais uma vez, vemos como a escolha de palavras não é livre: ao selecionar uma palavra, já selecionamos, inclusive, padrões sintáticos. A gramática, portanto, não é autônoma ou completamente separada do léxico.

Relevância para o CACD

Não há dúvidas de que a banca conhece e reconhece tais padrões lexicais e sintáticos. Copio, aqui, alguns comentários escritos pelo examinador em respostas a recursos interpostos no CACD 2017:

“A colocação correta para o contexto é ‘on’, como no exemplo ‘She’s by far the biggest influence on my writing’.”

“’Surprising for’ mal aparece em corpora em geral e quando o faz, raramente se trata de fonte confiável, que siga os preceitos da norma culta”

“A expressão ‘to create something in aspects’ carece de idiomaticidade, pois as regras de colocação foram violadas aqui.”

“Há, aqui, um erro de colocação. A escolha lexical ‘afffordable dream’ não é uma combinação viável, pois carece de idiomaticidade.”

“Há, aqui, um erro de colocação. A escolha lexical ‘handle negotiations’ não é uma combinação viável, pois carece de idiomaticidade. Verbos que se colocam com ‘negotiations’ são, entre outros, ‘enter into, open, conduct.”

“A combinação lexical ‘unavoidable countries’ carece de idiomaticidade. Ferem-se, aqui, as leis de colocação.”

 

Cito aqui também alguns exemplos de textos de candidatos em que a parte grifada foi considerada errada por causa de colligation:

He also argued that the homogeneous aspects of capital flows are still to capable to impose their global power.

Although one cannot agree with Carl Gustav Jung about the difficulty to disturb the security (…)

Fica mais do que patente, considerando todos os exemplos acima, que collocations e colligation não são preocupações “muito técnicas” para quem “só” estuda inglês para passar no CACD: a banca reconhece, em suas correções e respostas a recursos, que a escolha de palavras não é livre e que há padrões lexicais e sintáticos que devem ser observados. E isso é algo que deve interferir na forma como você estuda vocabulário e produção de texto para o concurso! No próximo post, discutirei algumas estratégias de estudo para candidatos que sabem que é preciso pensar além das palavras isoladas para produzir textos com “correção gramatical e propriedade da linguagem”, um critério de correção que existe para todas as quatro tarefas da prova discursiva de inglês no CACD.

Cheers!

 

Bilbliografia

Mona Baker. In Other Words: a coursebook on translation. Routledge, 2011.

John Sinclair. Trust the Text: language, corpus and discourse. Routledge, 2004.

Finalizo os comentários, chegando ao quinto e último texto da prova de tipo A.

Questão 43. Considering the ideas and the vocabulary of the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. In lines 29 and 30, the words “doubt” and “folly” have the same meaning.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Doubt significa “dúvida”, mas folly quer dizer algo como “estupidez”. Veja aqui.

2. In line 37, the word “sprang” is synonymous with originated.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é justamente o sentido de spring no contexto. Veja aqui.

3. From the information presented in the text, it is correct to infer that, thanks to their grasp of timeless geometrical and mathematical truths, Ancient Greeks generally understood the culture of the Bible.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O texto afirma que a cultura bíblica “would have been unintelligible to the Greeks” (linhas 35-36 e 47-48).

4. From the information presented in the text, it is correct to infer that Plato was a relativist.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Se Platão estava, como afirma o texto, em busca de verdades axiomáticas e de conhecimento absoluto, ele não poderia ser relativista.

Sigo com os comentários, agora a respeito do quarto texto da prova de tipo A.

Questão 40. Regarding the grammatical aspects of the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. The fragment “which all creations of a people seem to obey” (line 4) and which all creations of people seem to obey mean the same and can be used interchangeably.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. No texto, people é substantivo no singular, querendo dizer “povo”. No item, people é plural de person. Ou seja, o texto diz “que todas as criações de um povo parecem obedecer”, enquanto o item diz “que todas as criações das pessoas parecem obedecer”.

2. The two instances of “man” in the fragments “their mode of representing man” (line 24) and “Only one man ever shook” (line 26) refer to quite distinct concepts.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Na linha 24, man é uncountable noun e faz referência aos homens enquanto grupo, ou seja, à “humanidade”. Na linha 26, man é countable noun e quer dizer “homem”, fazendo referência a um homem em específico: Amenófis.

3. The two instances of “whom” in “whom he worshipped, and whom he had represented” (lines 31 and 32) can, in an informal context, be replaced with who, but “whom” and “who” play very different distinct grammar roles in a sentence.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. No registro formal, que é o registro do texto The Story of Art, who é usado como pronome sujeito em orações relativas, enquanto whom é usado como pronome objeto (quando o referente é pessoa, nos dois casos). No entanto, no registro informal, whom raramente é usado: o pronome who é usado inclusive como pronome objeto.

4. “Granted” (line 23) is a word used to acknowledge that something is true, before something about it is said.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é justamente o sentido do advérbio granted. Veja aqui.

Questão 41. Based on the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. In the fragment “no one asked him to be ‘original‘” (line 16), the underlined word is in inverted commas because originality, as we know it today, did not exist in Egyptian art.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. O uso das scare quotes mostra que o autor julga o uso do vocábulo original inapropriado para o contexto. Inapropriado, no caso, ao contexto histórico no qual essa produção artística acontecia, como o próprio autor explica neste parágrafo.

2. The fragment “shook the iron bars of the Egyptian style” (lines 26 and 27) means “to raise the required artistic standards further”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. No contexto, “shake the iron bars” diz respeito ao fato de esse faraó ter realizado mudanças em um estilo artístico tão estabelecido (o estilo egípcio, com todas as suas “strict laws”). No entanto, as mudanças realizadas por Amenófis não são, de acordo com o texto, permanentes na arte egípcia — e nem significam que o padrão artístico ficou mais elevado. O que o texto afirma é que ele foi o único homem a quebrar as regras, não que a partir dele as regras passaram a ser outras, com um padrão mais alto.

3. The author seems to suggest that some of Amenophis’ shortcomings are his physical appearance and mobility impairment.

O examinador não foi muito feliz na formulação desse item, por uma série de motivos. Supondo que “physical appearance”, no item, seja uma referência a “an ugly man” (linha 42) e que “mobility impairment”, no item, refira-se “leaning on a stick” (linha 41), algumas coisas ainda não ficam claras:

  • aparência física feia e dificuldades de mobilidade não são shortcomings — certamente não no texto. Não são características que impedem o faraó de ter suas realizações.
  • quando o item diz “some of his shortcomings”, isso significa que há outros shorcomings no texto, supostamente sugeridos por Gombrich (mas não há).
  • Gombrich afirma que apenas algumas das imagens do faraó o retratam como feio — não todas; além disso, a “feitura” nessas algumas imagens não necessariamente correspondem à realidade da aparência do faraó, já que o próprio Gombrich aventa a possibilidade de o faraó ter pedido aos artistas que assim fosse representado para mostrar sua fragilidade humana (não uma feitura “real”). É um capítulo sobre arte egípcia, não naturalismo.
  • “The author seems to suggest” tem tão pouca adesão de quem formulou o item que é até difícil entender quanta adesão o examinador imagina que Gombrich teria a sua interpretação.

O gabarito preliminar deu o item como CERTO, mas considero este item forte candidato a recursos.

4. For some of his subjects, Amenophis did not carry himself in as kingly a fashion as he should.

Vejo outro problema de formulação aqui: por que “some of his subjects”? O texto parece referir-se aos súditos em geral, e não a um grupo de súditos, quando diz “the pictures that he commissioned must have shocked the Egyptians of his day“.

O gabarito preliminar deu o item como CERTO, mas considero este item forte candidato a recursos.

Questão 42. As far as vocabulary is concerned, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. The expression “fall into place” (lines 2 and 3) means “to begin to make sense or to fit together”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é justamente o sentido de fall into place. Veja aqui.

2. The fragment “after his god” (line 34) means “prostrated himself in front of the deity”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. “He called himself Akhnaten, after his god” quer dizer que ele escolheu seu nome com base no nome do seu deus. Veja o sentido 14 de after aqui.

3. The word “novel”, in “novel character” (line 37), means “fictional, not based on real life”. 

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Novel é adjetivo no contexto, querendo dizer “novo, diferente”. Veja aqui.

4. The fragment “a homely idyll” (lines 47 and 48) describes perfect domestic or marital bliss.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é o sentido que se realiza no contexto. Veja aqui.

Sigo comentando a prova objetiva de inglês, agora com foco no terceiro texto da prova de tipo A.

Questão 38. Considering the ideas of the text, mark if the following items as right (C) or wrong (E).

  1. The author of the text expresses concern for the current standing of diplomats.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O autor do texto descreve as mudanças na forma como os diplomatas são vistos, mas não expressa, ao menos nesse trecho, preocupação com relação a essas mudanças.

2. The text states that contemporary diplomats have lost prestige compared to their predecessors.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. No passado, por estarem conectados a figuras de monarcas poderosos e de estados já bem estabelecidos, os diplomatas tinham status privilegiado e protegido. Hoje, de acordo com o texto, como os diplomatas também representam países, religiões e -ismos que não são bem vistos, seu status já não é o mesmo.

3. It is correct to infer from the text that being a diplomat is now more dangerous than it was in the past.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Se hoje o diplomata tornou-se um símbolo vulnerável, pois é associado a uma lógica de violência política, que substituiu a da imunidade diplomática, sim, é possível inferir com base no texto que ser diplomata hoje é mais perigoso que no passado.

4. According to the author, interstate norms of diplomacy have changed substantially in recent years.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O texto não fala sobre “interstate norms of diplomacy”, mas sim sobre como os diplomatas são vistos.

Questão 39. Considering the vocabulary of the text, mark the following items are right (C) or wrong (E).

  1. In line 3, the word “their” refers to the expression “venerable principals” from line 2.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O possessivo refere-se a “diplomats”: o fato de os diplomatas representarem, ao longo de séculos, líderes veneráveis garantiu o status protegido e privilegiado dos diplomatas.

2. In line 5, the expression “by and large” could be replaced with partially without changing the meaning of the sentence.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. By and large quer dizer “de forma geral”.

3. The word “-isms” in line 9 is a term often used to represent political ideologies and artistic movements.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Algumas amostras do COCA demonstram o que afirma o item:

“These readings illuminate elements of societal power structures, including how racism, classism, and able-ism (among other ” isms “) intersect and influence how music teachers teach and students learn”

“In this encyclical the ideological sparring partner of Benedict XVI is secularism in its various forms, especially atheism and relativism. This duo of ” isms ” is construed as a principal adversary of venerable and veritable Christian principles.”

“Changes since 1989 result mainly from the growth of three isms: multiculturalism, left-fascism, and Islamism.”

4. The word “others” in line 9 refers to those in the general public.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO: o pronome others, no contexto, faz referência a pessoas que não são diplomatas, ou seja, “those in the general public”.

Sigo comentando a prova objetiva de inglês, agora com foco no segundo texto da prova de tipo A.

Questão 37. Considering the vocabulary of the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. The word “very” in line 3 is synonymous with extremely.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Extremely é advérbio, mas o very que encontramos no texto não é advérbio — ou seja, não quer dizer “muito”. No texto, very é adjetivo e tem o sentido de “próprio/própria”: as transformações estão afetando a própria natureza da diplomacia.

2. The expression “of no great concern” in line 5 carries the notion of “having little importance”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Dizer que essas transformações “were once of no great concern to diplomacy” é dizer que elas, antigamente, não tinham grande importância no meio diplomático.

3. In lines 12 and 13, if one were to remove the phrase “, as well as the interchange between government and other domestic actors,”, the sentence that contained it would no longer make sense.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Se esse trecho fosse removido do texto, a passagem ainda faria sentido (não o mesmo sentido, mas faria sentido): “the way the exchange between states progresses is influencing diplomacy’s ability to act legitimately and effectively”.

4. In line 16, the pronoun “they” refers to “attributes”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O antecedente aqui é “diplomats”: os diplomatas não precisam mais dos mesmos atributos que outrora [os diplomatas] precisavam.

Inicio os comentários sobre a prova objetiva de inglês pelo primeiro texto da prova de tipo A.

Questão 35. Considering the ideas of the text, mark the following items are right (C) or wrong (E).

  1. The author states that the COVID-19 pandemic has interrupted diplomatic discussions around the globe.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. As discussões diplomáticas, de acordo com o texto, não foram interrompidas, mas sim transformadas, por exemplo, pelo uso de plataformas tecnológicas.

2. According to the text, the current viral outbreak has sped up the move towards small groups of diplomats holding their meetings online, but not large ones.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O texto afirma, entre as linhas 11 e 12, que representantes de delegações pequenas e grandes têm participado dessa transformação tecnológica.

3. The author asserts that a major challenge for diplomats now is the timing of negotiations in relationship to their ability to receive quality information from a variety of stakeholders.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. O texto menciona as dificuldades que os delegados têm em consultar especialistas, devido ao período de negociação ser menor, e também as dificuldades apresentadas pelos diferentes fusos horários na participação de especialistas, de acadêmicos, da sociedade civil etc. (que são os stakeholders).

4. The information presented in the text indicates that the size of the diplomatic corps in many developing countries is one element influencing their overall online presence.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. De acordo com o texto, os países em desenvolvimento estão sub-representados nas reuniões virtuais, e um dos motivos mencionados é justamente “the lower numbers of personnel” (em comparação com países desenvolvidos).

Questão 36. Regarding the vocabulary of the text, mark if the following items are right (C) or wrong (E).

  1. The word “business” in line 7 only refers to economic transactions.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. “The diplomatic business”, no texto, não diz respeito apenas a transações econômicas. “Business” é substantivo polissêmico; veja seus muitos sentidos aqui.

2. In line 14, the word “one” is used as a pronoun for the antecedent “a whole new environment” (line 13).

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. O antecedente de “one” é o sintagma nominal “a whole new environment”, no sentido de “a whole new environment is evolving at a very rapid pace”.

3. The phrase “capital-based experts” in line 16 refers specifically to those who make international economic investments.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. “Capital-based” é adjetivo composto, no qual “based” quer dizer “having an administrative or operational centre in the location specified; (more generally) that is centred or located around a specified region” (fonte: OED). Ou seja, faz referência a especialistas que residem nos países representados.

Veja mais amostras de linguagem contendo esse sentido de capital-based:

“Bringing representatives from capitals into the negotiations—especially policy makers from ministries in charge of investment policy—helps to ensure that any agreement is closely linked to the development goals of governments in facilitating FDI. It would strengthen the interaction between Geneva delegates and capital-based experts. It could furthermore foster dialogue and cooperation among domestic stakeholders, as experts prepare themselves for Geneva, and it is also critical for implementation.”

Fonte: https://ccsi.columbia.edu/sites/default/files/content/docs/publications/No-275-Sauvant-FINAL.pdf

“Seventy-five Geneva-based and capital-based experts from over 40 different WTO members and observers and officials of the Ministries of Health, Trade, Finance, Foreign Affairs and Education, as well as IP offices, took part in the workshop.”

Fonte: http://asemconnectvietnam.gov.vn/default.aspx?ZID1=4&ID8=102180&ID1=2

4. In line 19, the word “hindered” could be replaced with the expression set back without changing the meaning of the sentence.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Historicamente, esse tipo de item, que pergunta sobre a substituição de um item lexical por outro, testa apenas o sentido isolado dos itens lexicais em questão, e não a colocabilidade do item lexical proposto com o co-texto. Assim, o que o examinador, historicamente, quer testar nesse tipo de item é a sinonímia (ou seja, relações de sentido entre os dois itens lexicais). Hinder e set back têm sentidos bem próximos no contexto, o que é suficiente para marcar o item como certo, já que não existe sinonímia perfeita/absoluta.

Em março, nosso book club volta a ler George Orwell! Leremos mais um ensaio do autor: The Prevention of Literature, publicado em 1946.

No ensaio, o autor nos convida a pensar sobre a liberdade de pensamento e de expressão, especialmente sob regimes totalitários — e suas implicações para a produção e a fruição literária.

O texto pode ser encontrado aqui! Nossa interação acontecerá em 25/3, a partir das 17h, via Zoom! Durante a interação, discutiremos o texto e faremos uma atividade de análise comparativa de traduções de um trecho do texto.

Lembrando que textos de Orwell já caíram na tarefa de tradução inglês-português da prova discursiva de inglês do CACD, como The Road to Wigan Pier, no CACD 2019, e Homage to Catalonia, no CACD 2014!

É aluno CACD Inglês e/ou Ideg e quer participar desta leitura? Escreva para contato@cacdingles.com!

No mês de fevereiro, leremos o conto The Million Pound Bank Note, de Mark Twain!

O conto foi publicado em 1893 e nos leva a diversas reflexões sobre como nos relacionamos com o dinheiro.

Leitores de nível avançado podem fazer a leitura autêntica (clique aqui). Leitores de nível intermediário podem fazer a leitura simplificada (clique aqui).

Para quem gosta de ter o livro físico e está interessado em tradução e exercícios, recomendo o livro Contos de Mark Twain: Edição Bilíngue Inglês-Português, com notas de tradução e exercícios, da editora Lexikos. 

Nossa interação acontecerá em 25 de fevereiro, a partir das 17h, via Zoom!

É aluno CACD Inglês e/ou Ideg e quer participar desta leitura? Escreva para contato@cacdingles.com!

Aprovado no CACD 2019 com a nota mais alta de língua inglesa, Bruno Berrettini Camponês do Brasil fala sua preparação para as provas de inglês do CACD!

Você já tinha conhecimentos avançados da língua inglesa quando começou a estudar para o concurso?

Sim.

Qual foi a melhor maneira que você encontrou para estudar vocabulário novo e fixa-lo?

Leitura, vídeos no YouTube e podcasts.

Como você estudava collocations, em particular?

A partir das correções da professora, anotando os erros cometidos e as collocations corretas.

Que tipo de exercícios complementares aos simulados (vocabulário, gramática, tradução etc.) você acha imprescindível fazer?

Se necessário, exercícios gramaticais.

Como você se preparou para a primeira fase do exame? Apenas através da resolução de questões?

A incorporação de textos em inglês na minha rotina diária (imprensa dos EUA e do Reino Unido, principalmente) permitiu que a língua se tornasse quase automática para mim. Pouco antes do TPS, fiz curso de exercícios específicos da própria professora.

Você tinha alguma estratégia no que diz respeito a deixar respostas em branco?

Deixar em branco somente aquilo de que não tinha qualquer ideia do que responder. No mais, responder tudo o que fosse possível.

Em que ordem você acha aconselhável fazer as tarefas da prova de inglês de segunda fase?

Composition, Summary e exercícios.

Alguma dica de ouro para os candidatos?

Língua é que nem qualquer esporte ou atividade física. Só se alcança um bom resultado com muita prática. No caso de Inglês, além desse aspecto, é bom ter em mente que as provas têm um quê de Política Internacional. Por isso, a leitura de textos acadêmicos e jornalísticos da área é imprescindível. Outra dica: é melhor escrever um texto com menos palavras e expressões tidas como “chiques” e mais direto ao ponto a querer florear demais. Neste caso, corre-se o risco de produzir um texto confuso e sobretudo de usar palavras cuja collocation nada tenha a ver com as outras palavras escolhidas.

Aprovado no CACD 2019, Arthur Lomonaco Beltrame nos conta sobre sua preparação para as provas de inglês do CACD!

Você já tinha conhecimentos avançados da língua inglesa quando começou a estudar para o concurso?

Felizmente, eu já possuía uma boa base, com conhecimentos avançados da língua inglesa; a adequação ao modelo da prova, no entanto, é determinante para que, mesmo o candidato com bons conhecimentos, possa ter um bom desempenho. Entendo que não é necessário ser totalmente fluente no idioma ou algo do tipo; conhecer e entender a prova é essencial.

Qual foi a melhor maneira que você encontrou para estudar vocabulário novo e fixa-lo?

No meu caso, eu fui um usuário assíduo do Quizlet para treinar diversos aspectos da língua inglesa, entre eles questões de vocabulário. Entendo que o aprendizado e a fixação de conteúdo em idiomas estrangeiros estão muito ligados à repetição. Ferramentas como o Quizlet permitem que isso seja feito de uma maneira mais lúdica, a qualquer hora e em qualquer lugar. Por fim, para reforçar o conhecimento, uma tabela de Excel é sempre uma boa opção para listar aqueles termos e expressões mais relevantes.

Como você estudava collocations, em particular?

Collocations são importantíssimas na elaboração dos textos em língua inglesa e as correções tanto da banca examinadora quanto da Selene são bem rígidas. Mais uma vez, eu treinei bastante com os cards do Quizlet. Usar o aplicativo tornou-se quase um hobby e, naturalmente, consegui fixar uma boa parte do conteúdo ali presente. Para complementar, elaborei uma tabela de Excel com as collocations que mais utilizava em meus textos e com aquelas que tinha mais dificuldade.

Que tipo de exercícios complementares aos simulados (vocabulário, gramática, tradução etc.) você acha imprescindível fazer?

Exercícios complementares aos simulados são essenciais para o candidato ter maior tranquilidade e segurança na hora da prova. Ampliar a base do vocabulário e estar em dia com a gramática ajuda muito na elaboração de um texto mais fluido que facilite a leitura por parte do examinador. Tradução, por sua vez, exige prática e identificação das unidades de sentido e não somente dos termos em si.

Como você se preparou para a primeira fase do exame? Apenas através da resolução de questões?

Minhas preparação para a primeira fase do exame esteve sempre mais concentrada na leitura de textos de atualidades, especialmente de jornais e revistas, e na resolução de questões. Para isso, os boletins do “Politics this Week” da Selene eram uma ótima maneira de praticar a leitura e expandir o vocabulário, além do próprio conteúdo das informações, que ajudam em outras matérias, como Política Internacional ou História Mundial.

Você tinha alguma estratégia no que diz respeito a deixar respostas em branco?

Entendo que deixar respostas em branco na primeira fase é algo pessoal e cada candidato deve buscar encontrar seu estilo. A prova de 2019, contudo, com a mudança na penalização dos erros, alterou um pouco essa percepção, já que abriu espaço para que os candidatos arriscassem um pouco mais. Pessoalmente, eu sempre fugi das questões sobre vocabulário, pois são sempre muito capciosas, com falsos cognatos, significados próximos, porém não intercambiáveis, etc.

Em que ordem você acha aconselhável fazer as tarefas da prova de inglês de segunda fase?

Uma boa ordem é começar pela tradução, porque a língua portuguesa ainda está “fresca”. Em seguida, eu sempre gostei de ler o tema da redação e fazer um rápido “brainstorm”, porém ainda sem fazer rascunho da redação. Era algo para já me familiarizar com o tema e deixar ele no “fundo da cabeça”, sendo processado enquanto fazia o resto da prova. O resumo vem em seguida, quando já se “engata” na língua inglesa. Após o resumo, eu sempre fiz a redação e deixei a versão para o final, pois muitas vezes os textos são complicados e exigem que o candidato já esteja bem “aquecido” no idioma.

Quanto tempo você acha aconselhável reservar para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

Eu sempre gostei de fazer rascunho de todas as atividades, mas isso pode ser perigoso para alguns candidatos. Tudo depende do gerenciamento de tempo de cada um e da velocidade da escrita. A tradução é geralmente uma atividade rápida, ainda mais por ser em língua portuguesa, então uns 35 minutos para fazer rascunho e passar a limpo é o suficiente. O resumo não é mais por número de palavras, mas por extensão do texto, o que pode tomar mais tempo dependendo da letra do candidato. No entanto, como há termos essenciais que já estão no texto-base e há uma lógica textual já estabelecida, gasta-se menos tempo em elaboração “original” por parte do candidato. De qualquer maneira, eu sempre gastei uns 45 minutos no total. A redação, ainda que corresponda a 50% da nota final, exige mais cuidado e, portanto, mais tempo. É justamente a parte em que escrevemos e erramos mais, onde coerência e coesão são tão importantes quanto a gramática. Reservar umas 3 horas para fazer o rascunho, revisão, passar a limpo e revisar novamente é uma boa opção. A versão eu sempre fiz em um espaço mais apertado, coisa de 30 minutos. Tradicionalmente, sempre deixei uns 10 minutos finais para fazer aquela última revisão. Isso é importantíssimo, pois sempre encontrei erros bobos que foram facilmente corrigidos e evitaram a perda desnecessária de pontos. Por fim, gostaria de mencionar que essa divisão funciona mais como um plano. Na hora da prova, algumas atividades são mais curtas ou estamos mais afiados para fazê-las em menor tempo; em outras, travamos um pouquinho em alguma coisa, é muito natural. O mais importante é manter a calma e estar atento ao relógio para não ser supreendido.

Como era seu processo para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

Eu acho que na pergunta anterior faço um bom panorama do meu processo para cada tarefa da prova de segunda fase. Sempre gostei de fazer rascunhos, ainda que feitos às pressas e com uma caligrafia sofrível! Isso me tranquilizava por saber que a prova estava caminhando e que as atividades estavam praticamente prontas. Pessoalmente, sempre achei um pouco aterradora a ideia de faltar pouco tempo de prova e eu sequer ter começado alguma das atividades. Por isso, eu sempre fiz o rascunho de tudo para, então, de olho no relógio, começar a passar a limpo já ciente de que a prova estava “feita”.

Alguma dica de ouro para os candidatos?

Eu teria dicas diferentes para situações diferentes. Minha dica para quem está se preparando e encontrando dificuldades na primeira fase ou, então, já fez a segunda fase e ainda não conseguir a aprovação, é: seja persistente. É um concurso desgastante e a competição é muito acirrada, mas com ajustes e aprendendo com os erros, a aprovação é sim possível. Minha dica para o momento da prova em si é manter a calma. Os candidatos desse concurso se preparam muito e, por isso, devem estar cientes de que dispõem de grande parte do conhecimento ali exigido e de outros recursos intelectuais para encontrar soluções em momentos de maior aperto.

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Você já tinha conhecimentos avançados da língua inglesa quando começou a estudar para o concurso?

Comecei a fazer um curso regular de inglês aos 15 anos, no Centro Interescolar de Línguas de Brasília, que é uma escola de idiomas pública no Distrito Federal. Apesar da qualidade de muitos professores e da metodologia de ensino, encerrei o curso com grandes problemas estruturais que fizeram muita falta ao longo da minha graduação (Relações Internacionais – UnB) e da experiência internacional em país de língua inglesa (Estados Unidos – 6 semanas). Acredito que meu conhecimento da língua inglesa era intermediário quando iniciei meus estudos para o concurso, mas consegui avançar bastante também com outro curso de inglês voltado ao CACD, embora sentisse que muitos dos problemas iniciais permaneciam.

Qual foi a melhor maneira que você encontrou para estudar vocabulário novo e fixa-lo?

Inicialmente eu seguia a forma mais automática de achar uma palavra diferente e anotar o significado (no caderno ou no texto mesmo), o que permitiu que eu fixasse alguns vocabulários, mas esquecesse a maioria. Depois passei a usar o modelo de banco de palavras disponibilizado pela Selene, o que representou um avanço significativo. A melhor maneira que encontrei foi utilizar o “Anki” tanto para novos vocabulários quanto para novas estruturas. Eu estudava esses cards diariamente, dependendo da facilidade que tinha para lembrar o uso de determinada palavra e seu significado (utilizei esse modelo também para palavras que eu achava que conhecia, mas que percebi que não utilizava da melhor forma). Além disso, o estudo do “Vocabulando Workbook” contribuiu muito para que eu compreendesse melhor a lógica da língua inglesa, algo que pode ser natural para alguns, mas foi uma dificuldade para mim.

Como você estudava collocations, em particular?

Sempre tive muita dificuldade com collocations, pois era uma lógica um pouco estranha para mim. A forma que encontrei de minimizar essa dificuldade foi com o uso do “Anki”, com a função “omissão de palavras”. Assim, eu sempre colocava a palavra e omitia o termo seguinte; junto com essa omissão, eu escrevia também um exemplo, para que fixasse melhor o sentido que aquela palavra carregava ao ser utilizada com determinada preposição ou outro termo, especialmente se considerarmos que muitas palavras têm sentidos diferentes, dependendo do termo que a acompanha (pode parecer bem lógico, mas percebi que caía muito na ilusão de “já conhecer aquela palavra” e ignorava a possibilidade de outros significados, mesmo com palavras muito recorrentes).

Que tipo de exercícios complementares aos simulados (vocabulário, gramática, tradução etc.) você acha imprescindível fazer?

Acho que o mais importante é manter um contato muito frequente com a língua. Eu fiz muitos cards no “Anki” (não é propaganda, mas utilizei muito essa ferramenta) com exercícios de tradução, uso de collocations, tradução de palavras novas, reescritura de trechos com erros na composition e no summary e tudo o que era possível colocar lá. Depois praticava diariamente e não deixava acumular os cards das línguas. Além disso, escutava o Global News Podcast da BBC todos os dias: eu focava na língua, não nos fatos apresentados.

Como você se preparou para a primeira fase do exame? Apenas através da resolução de questões?

Eu fiz e refiz as provas anteriores e mantinha um acompanhamento da pontuação atingida em cada resolução. Fiz também análises do percentual de acertos a observava qual parte estava com mais dificuldade. Além das provas, resolvia também questões do curso da Selene e aproveitei os aprendizados de outros cursos que fiz.

Você tinha alguma estratégia no que diz respeito a deixar respostas em branco?

Sempre tentei deixar o mínimo possível. Inicialmente isso pesou muito para diminuir minha nota, mas com mais tempo de estudo eu passei a errar menos os “chutes”. Só deixava em branco itens que eu realmente não tinha a menor ideia de como pensar em uma resposta objetiva.

Em que ordem você acha aconselhável fazer as tarefas da prova de inglês de segunda fase?

Sempre fiz na seguinte ordem: tradução, versão, composition e summary. Este ano tive que mudar um pouco, pois demorei mais do que esperava na tradução, então fiz a tradução primeiro, depois a composition, o summary e a versão. A versão foi a única que fiz diretamente na folha de resposta, já que não teria tempo para fazer rascunho.

Quanto tempo você acha aconselhável reservar para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

O ideal, com base na minha experiência do último concurso, seria fazer a tradução e a versão em 1h30, a composition em 2h15 e o summary em 1h15.

Como era seu processo para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

Nas traduções, eu lia o texto uma primeira vez e identificava trechos que demandariam um pouco mais de esforço para fazer uma tradução o mais idiomática possível e que mantivesse as informações iniciais. Em seguida, eu fazia um rascunho da resposta e conferia para evitar deixar palavras ou frases de fora, o que já aconteceu comigo durante o curso. Em 2019, eu não consegui fazer um rascunho da versão, pois tive que fazer diretamente na folha de respostas e durante os últimos 30 minutos de prova. Na tradução eu fiz o rascunho, fiz uma leitura rápida para verificar a adequação idiomática e já passava para a folha de resposta. O summary eu fiz da seguinte forma: fiz uma leitura preliminar, para me acostumar com as informações básicas e identificar trechos que eu deveria dar mais atenção para compreender as informações presentes; depois comecei uma segunda leitura e grifei as informações que deveriam estar presentes no resumo; o próximo passo foi focar nos trechos e palavras sublinhadas e rascunhar meu resumo; por fim, eu lia meu esboço de resumo, eliminava os erros que conseguia identificar e passava para a folha de respostas, fazendo ajustes de estrutura e de organização, quando necessários. A composition eu começava escrevendo no topo da página qual a pergunta que deveria ser respondida, conforme o comando da questão, depois eu escrevia a frase que iniciaria meu texto (pensava em uma frase genérica e que introduzisse o tema a ser abordado) e, em seguida, eu escrevia um esboço da minha “thesis statement”, pois eu precisaria fazer ajustes após definir o que seria abordado em cada parágrafo do desenvolvimento. Após definir os parágrafos de argumento (com as respectivas “topic sentences”) eu finalizava a tese e começava a escrever o rascunho da minha redação. Com o rascunho finalizado, eu busquei concluir o texto com uma referência à tese e aos parágrafos argumentativos, corrigi os erros formais que conseguia identificar e passava para a folha de respostas. Em nenhum momento eu me preocupei com o uso de “fancy structures”, eu busquei simplificar ao máximo e, quando identificava uma oportunidade de usar um vocabulário ou expressão que aprendi, busquei adequar essas expressões ao meu texto, não o contrário.

Alguma dica de ouro para os candidatos?

Recomendo dar mais atenção ao quesito “organização do texto e desenvolvimento do tema” antes de focar tanto na parte formal, pois um texto mal estruturado prejudica muito a capacidade de reduzir os erros formais. Não quero dizer que um quesito é mais importante que o outro, mas, no meu caso, só consegui avançar na parte formal após melhorar a organização do meu texto. Além disso, recomendo cercar-se de pessoas que contribuam para o seu avanço nos estudos, pessoas que estão realmente comprometidas com a aprovação e que podem te ajudar muito no processo de auto-conhecimento (no sentido de identificar o que funciona melhor para você tanto no que se refere a técnicas de estudos quanto nas escolhas que fazemos ao longo da preparação).