“So difficult it is to show the various meanings and imperfections of words when we have nothing else but words to do it with.”

~John Locke

 

Por muito tempo, as palavras foram pensadas como a principal unidade gramatical e lexical. Gramaticalmente, conhecemos as palavras como verbos, substantivos, adjetivos, advérbios… Em termos de léxico, os dicionários são normalmente organizados em verbetes, em ordem alfabética, os quais correspondem a palavras.  Nessa forma de ver a linguagem, um texto seria uma sequência de palavras sintaticamente organizadas. Para produzir um texto, portanto, bastaria escolher quaisquer palavras ‘que fazem sentido’ e organizá-las de acordo com as regras gramaticais.

A essa visão da linguagem subjaz a presunção de que a gramática é regular e de que o léxico é irregular, ou seja, de que há padrões gramaticais a ser observados na construção de um texto (concordância, transitividade etc.), mas de que não haveria algo como “padrões lexicais”. No entanto, o desenvolvimento da linguística de corpus, nas últimas décadas, nos abre os olhos para o exato oposto dessa presunção: o léxico não é “irregular”; as palavras em um texto não estão organizadas apenas por relações sintáticas, mas também por relações lexicais; os padrões sintáticos e os padrões lexicais não podem ser separados.

Isso pode parecer uma conversa “muito técnica” para quem está “só” estudando inglês para passar no CACD (muitas aspas por aqui rs), mas assim como a dicotomia entre gramática e léxico tem sido questionada, a dicotomia entre teoria e prática também precisa ser repensada. Afinal, quem está “só” estudando inglês para passar no CACD será avaliado por uma banca que conhece a teoria e que espera que a prática dos candidatos esteja alinhada a ela (como veremos em comentários da própria banca abaixo).

Por isso, para quem está “só” estudando inglês para passar no CACD, é absolutamente fundamental, em seus estudos de vocabulário e de produção de texto em língua inglesa, pensar a questão do sentido para além das palavras isoladas. Neste artigo, discutirei como a escolha de palavras para um texto é limitada tanto por restrições gramaticais quanto por restrições lexicais. Abordarei os conceitos de collocation e colligation, e a relevância dessa discussão “muito técnica” para seus estudos de língua inglesa para o CACD.

Collocation

Se abrirmos um thesaurus (um dicionário de sinônimos) no verbete strong, encontraremos entre seus sinônimos a palavra powerful. Isso significa que seus sentidos são semelhantes. No entanto, é natural dizer, em inglês, I prefer strong tea, mas não I prefer powerful tea. Isso porque, ao escolhermos usar a palavra tea, existe, concomitantemente, uma co-seleção de adjetivos que são, de fato, usados com essa palavra. Essa co-ocorrência frequente de palavras é o que chamamos de collocation. Assim, nas palavras de Mona Baker, “meaning cannot always account for collocational patterning”: muito embora a palavra powerful isoladamente faça “sentido”, ela simplesmente não é usada em combinação com tea.

Isso acontece porque as palavras tendem a ocorrer juntas e a formar sentidos em sua combinação. É a combinação que faz sentido, não a palavra individualmente. Como explica John Sinclair, “the flow in meaning is not from the item [word] to the text but form the text to the item [word]”. Dou um exemplo paradigmático: na collocation “white wine”, white não quer dizer “something that is the same color of milk or snow”. White wine is not “white”! Mas o adjetivo white ganha sentido porque a combinação lhe confere sentido. Existe, portanto, uma interdependência entre a palavra e as outras palavras que a cercam. Quando essa dependência é lexical, ela e chamada de collocation.

Esse fenômeno da collocation não é restrito a uns poucos casos: a maior parte dos sentidos necessita da presença de mais palavras para sua realização. É por isso que John Sinclair afirma que “the word is not the best starting-point for a description of meaning, because meaning arises from words in particular combination”. Não estou aqui discutindo phrasal verbs, idiomatic expressions, set phrases ou provérbios; nesses casos, é bem óbvio que não há independência entre as palavras: ao escolher uma das palavras que formam essas multi-word expressions, já automaticamente co-selecionamos todas as outras. A discussão aqui é sobre a escolha de palavras em geral. Um texto não deve ser pensando como uma série de escolhas de palavras independentes: há padrões de combinações que são responsáveis pelo sentido, pela naturalidade, pela espontaneidade do texto. Nas pesquisas mencionadas por John Sinclair, cerca de 80% da ocorrência de palavras se dá não por escolhas independentes, mas sim por co-seleção. Em suas palavras, “a large proportion of the word occurrence is the result of co-selection—that is to say, more than one word is selected in a single choice”.

Dessa forma, ainda segundo Sinclair, “complete freedom of choice, then, of a single word is rare”. Ao escolhermos uma palavra para usar em um texto, automaticamente já devemos co-selecionar outras, não só com base em seus sentidos, mas sim em com qual frequência elas de fato ocorrem com a palavras que já selecionamos. Afinal, de acordo com Sinclair, “language is characterized by having hundreds of thousands of meanings that are not in fact available”.

O que vimos até agora, ao discutirmos collocation, é que 1) não existe liberdade completa na escolha de palavras, já que são as combinações que conferem sentido às palavras e que 2) por isso mesmo, a palavra como menor unidade lexical é algo muito problemático em termos de sentido. O léxico é, ao contrário do que muitos pensam, altamente “regular”: há tendências fraseológicas, padrões lexicais, que precisam ser observados para que de fato se produza sentido em um texto. Assim, a escolha de palavras é limitada por restrições lexicais.

Colligation

A escolha de palavras, além disso, também é limitada por restrições gramaticais. A escolha de uma só palavra pode determinar um padrão sintático. Por exemplo, se quero usar a palavra able, em uma construção como “capaz de fazer algo”, automaticamente já seleciono o complemento desse adjetivo: able to do something, não “able of doing something”. Já quando seleciono o substantivo possibility, em uma construção como “possibilidade de fazer algo”, automaticamente já seleciono o complemento: possibility of doing something, não “possibility to do something”. Não há uma “regra gramatical” aqui; o que se observa é o fenômeno da colligation, que é a co-ocorrência de palavras com escolhas gramaticais. Ao usar a palavra able naquela construção, é preciso co-selecionar o verbo no infinitivo; ao usar a palavra possibility naquela construção, é preciso co-selecionar o sintagma preposicional. A co-seleção, aqui, afeta a gramaticalidade do texto.

Mais uma vez, vemos como a escolha de palavras não é livre: ao selecionar uma palavra, já selecionamos, inclusive, padrões sintáticos. A gramática, portanto, não é autônoma ou completamente separada do léxico.

Relevância para o CACD

Não há dúvidas de que a banca conhece e reconhece tais padrões lexicais e sintáticos. Copio, aqui, alguns comentários escritos pelo examinador em respostas a recursos interpostos no CACD 2017:

“A colocação correta para o contexto é ‘on’, como no exemplo ‘She’s by far the biggest influence on my writing’.”

“’Surprising for’ mal aparece em corpora em geral e quando o faz, raramente se trata de fonte confiável, que siga os preceitos da norma culta”

“A expressão ‘to create something in aspects’ carece de idiomaticidade, pois as regras de colocação foram violadas aqui.”

“Há, aqui, um erro de colocação. A escolha lexical ‘afffordable dream’ não é uma combinação viável, pois carece de idiomaticidade.”

“Há, aqui, um erro de colocação. A escolha lexical ‘handle negotiations’ não é uma combinação viável, pois carece de idiomaticidade. Verbos que se colocam com ‘negotiations’ são, entre outros, ‘enter into, open, conduct.”

“A combinação lexical ‘unavoidable countries’ carece de idiomaticidade. Ferem-se, aqui, as leis de colocação.”

 

Cito aqui também alguns exemplos de textos de candidatos em que a parte grifada foi considerada errada por causa de colligation:

He also argued that the homogeneous aspects of capital flows are still to capable to impose their global power.

Although one cannot agree with Carl Gustav Jung about the difficulty to disturb the security (…)

Fica mais do que patente, considerando todos os exemplos acima, que collocations e colligation não são preocupações “muito técnicas” para quem “só” estuda inglês para passar no CACD: a banca reconhece, em suas correções e respostas a recursos, que a escolha de palavras não é livre e que há padrões lexicais e sintáticos que devem ser observados. E isso é algo que deve interferir na forma como você estuda vocabulário e produção de texto para o concurso! No próximo post, discutirei algumas estratégias de estudo para candidatos que sabem que é preciso pensar além das palavras isoladas para produzir textos com “correção gramatical e propriedade da linguagem”, um critério de correção que existe para todas as quatro tarefas da prova discursiva de inglês no CACD.

Cheers!

 

Bilbliografia

Mona Baker. In Other Words: a coursebook on translation. Routledge, 2011.

John Sinclair. Trust the Text: language, corpus and discourse. Routledge, 2004.

Durante muito tempo, pelo menos até o final do século 19, a tradução foi usada como principal método de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras. O Grammar-Translation Method preconizava que a aquisição de uma língua estrangeira se dava pelo estudo detalhado de suas estruturas gramaticais e pela aplicação dessas estruturas em exercícios de tradução da e para a língua estrangeira.

No século 20, conforme o foco da aprendizagem de idiomas foi passando das habilidades de compreensão e produção escrita para as habilidades de compreensão e produção oral, surgiu um novo método de ensino de idiomas. O Direct Method se contrapunha diretamente ao uso, em situações de aprendizagem de uma língua estrangeira, tanto da língua materna do aprendiz quanto de exercícios de tradução. 

Já em meados do século 20, o Direct Method passou a ser questionado, e muitas novas abordagens surgiram, como o Natural Approach e o Communicative Language Teaching (CLT). Essas novas abordagens preconizam o uso da língua estrangeira em situações de aprendizagem através de tarefas autênticas e interativas. A tradução, nessas abordagens, não é necessariamente proibida, mas também não é o foco, que é a proficiência na comunicação oral.

Nas abordagens que surgiram desde então, muitas delas como variações do próprio CLT, a tradução tem sido retomada, de formas diversas, como método de aprendizagem. Veja algumas das vantagens do uso da tradução como método de aprendizagem de idiomas:

Tradução como “scaffolding”

Mesmo em contextos comunicativos, a tradução pode ser usada para aproveitar os conhecimentos linguísticos prévios do aprendiz (sobre sua língua materna) para a aquisição de novos conhecimentos linguísticos (sobre a língua estrangeira). Essa técnica pode ser particularmente útil quando o aprendiz está no início da aquisição da língua estrangeira.

Tradução como análise contrastiva

Não só os aprendizes em níveis básicos têm a ganhar com a tradução pedagógica: mesmo entre aprendizes com conhecimentos avançados da língua estrangeira, a tradução pode ser usada para conscientizar o aprendiz dos contrastes entre os idiomas (língua materna e língua estrangeira), assim minimizando as interferências da língua materna na aquisição da língua estrangeira e muitas vezes até evitando fossilizações. 

Tradução e aquisição de vocabulário

A tradução pedagógica também é uma ótima forma de promover a aquisição de vocabulário. Ao traduzir diferentes tipos de texto, o aprendiz faz uso de itens lexicais que, caso trabalhasse apenas em textos produzidos por si mesmo, talvez nunca viesse a aprender. 

Tradução e competência instrumental

O uso de exercícios de tradução, mesmo em contextos comunicativos, pode ajudar a desenvolver a competência instrumental dos aprendizes, através do uso consciente de dicionários bilíngues, monolíngues e especializados, além de glossários e corpora. Isso contribui para ganhos linguísticos diversos, além de contribuir para a maior autonomia do aprendiz em seus estudos da língua estrangeira.

Tradução e plurilinguismo

No mundo globalizado, a comunicação multilíngue é uma realidade: cada vez mais, vemos a necessidade, inclusive no mundo profissional, de pessoas que saibam não só se comunicar em mais de um idioma, mas também mediar entre esses idiomas. O próprio Quando Comum Europeu de Referência para Línguas (CEFR), elaborado pelo Conselho da Europa, afirma que o objetivo do aprendiz de línguas estrangeiras deve ser o plurilinguismo e a intercultura. O aprendiz deve ser capaz de “mediate, through interpretation and translation, between speakers of the two languages”. 

Tradução, a quinta habilidade!

Por muito tempo deixada de fora da sala de aula, na qual se trabalhavam “as quatro habilidades” (speaking, listening, reading e writing), a tradução pode ser vista como a quinta habilidade a ser desenvolvia. De acordo com Pym et al., a tradução é “a fifth skill to be practised within the language classroom, alongside reading, listening, speaking and writing in the two languages independently”. Assim, a aquisição de uma língua estrangeira, para além da fala, da escuta, da leitura e da escrita, também pode se dar pela tradução. Para Pym et al., “translation is somehow inherent in the language-learning process itself; […] it is a skill that is as fundamental to the bilingual mind as each of the other skills is to monolingual and bilingual minds alike. In this view, translation is a way (or set of ways) of learning a second or foreign language, and not just a way of training professional translators and interpreters”.

Referências 

CALVO CAPILLA; RIDD. A tradução como atividade contrastava e de conscientização na aprendizagem de línguas próximas. Horizontes de linguística aplicada, v. 8, n. 2, p. 1501-69, 2009.

COUNCIL OF EUROPE. Common European Framework of Reference for Languages: Learning, Teaching, Assessment. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.

PYM, Anthony; MALMKJAER, Kirsten; GUTIERREZ-COLON PLANA, Mar. Translation and language learning: the role of translation in the teaching of languages in the European Union. A study. Luxembourg: Publications Office of the European Union, 2013.

RICHARDS, J.; RODGERS, T. Approaches and methods in language teaching. Cambridge: Cambridge University Press, 1986.

Voltamos com as atividades do nosso Book Club, e nossa próxima leitura será Animal Farm, de George Orwell!

Certa noite, os animais da fazenda do Sr. Jones se reúnem para ouvir Major, um porco, lhes contar sobre um sonho que teve, sobre um mundo onde todos os animais são livres e iguais. Inspirados na filosofia do Animalismo, os animais então organizam uma revolução!

Publicado em 1945, Animal Farm é sátira política que nos remete à Revolução Bolchevique de 1917. O enredo, resumido no mandamento “all animals are equal, but some are more equal than others”, nos leva a refletir sobre a busca pela liberdade, pela igualdade e pelo poder.

Edição

Qualquer edição de Animal Farm pode ser usada para nossa leitura.

Como o objetivo é desenvolver uma atividade de extensive reading, os alunos que ainda não têm nível avançado poder ler versões facilitadas. Uma opção é a edição da Penguin Readers (alunos do CACD Step by Step: Step 2 em diante) e outra é a edição da Pearson (para alunos que concluíram o CACD Step by Step).

Encontro

Nosso encontro acontecerá em novembro (data a definir) via Zoom. Nele, discutiremos a obra e faremos uma atividade de tradução.

Participe!

O Book Club é uma atividade gratuita, e todos os alunos do CACD Inglês e/ou do Curso Ideg estão convidados a participar! Para entrar em nosso clube de leitores, preencha este formulário!

The Smile Revolution of the late eighteenth-century France had proved a false dawn — or a damp squib. It would not be until the twentieth century that the smile made what has proved to be a spectacular comeback. This was initially a slow process, but the twentieth-century Smile Revolution was complete by the middle decades of the century. As with its predecessor in the eighteenth century, it was a complex phenomenon which involved social and cultural as well as scientific and technological changes. France was not in the vanguard of change as it had been earlier. Now, particularly in the later stages, the USA led the way.

The virtual prohibition on the use of the white-tooth smile in western portraiture had been ended by Madame Vigée Le Brun in 1787. The smile did thereafter feature in portraits, as we have suggested, but it was still very much a minority taste. And it remained very heavily gendered. Women might occasionally be shown with white-tooth smiles, but this was invariably seen as an unbecoming gesture for males. In France, no artistic movement embraced white teeth as wholeheartedly as, for example, the Pre-Raphaelites in England. Oddly, the artistic movements which did highlight the open mouth in their art, following the wake of Edvard Munch’s The Scream (1893), were the expressionists, the Dadaists, and the Surrealists. For them, the open mouth and the display of teeth were more likely to be linked to the grimace, the Democritan smile of mockery, or the gaping Gothic hole.

Taken overall, the upshot of Le Brun’s work was to endorse de convention that, in Western art, if one wanted to be portrayed pleasantly smiling (as opposed to laughing), then it was best to smile like Leonardo da Vinci’s Mona Lisa. Her smile — which, though admired, was not in fact a great favourite in Elightenment France — had been gracious, genteel, controlled and mild. The Mona Lisa was not alone in smiling, but she was also best minded to keep her mouth firmly shut. For individuals to have their mouths open in a painting in Western art, back to Antiquity, generally signified that, if they were not in the grip of extreme passion, they were plebeian or insane. The dark, forbidding facial orifices of beggars, gypsies, strolling players, and other social marginal portrayed by Caravaggio, Georges de La Tour, Velazquez, and others fitfully generate a sense of menace.

England’s Queen Victoria was famously “not amused”, and her official portraits are certainly very glum. In fact, in 1843, she commissioned the German court artist Franz-Xavier Winterhalter to paint an intimate portrait of her to present as a special gift to her new husband, Prince Albert. She chose to be represented in reclining fashion, smiling charmingly, and displaying her teeth. This probably makes her the first European monarch to wear the Vigée Le Brun smile in a portrait. Yet the circumstances of the commission were significant. Victoria made the painting a personal gift to Albert, and hung it in their private suite. It was never seen publicly in her lifetime.

Only right at the very end of the nineteenth century were teeth and smiles timidly finding their way more evidently into painted portraits. Interestingly, it seems to have been female artists, such as Berthe Morisot and Mary Cassatt, who gave lead to this. The pace of change was initially slower in regard to photographic portraiture. Strangely, perhaps, given the new medium’s more naturalistic, even documentary potential, white teeth failed to establish themselves in photography in the nineteenth century. There were technical reasons for this. For all the nineteenth century, and especially during the early days, posing times were long (thirty minutes at first). In the 1860s and 1870s, sitters frequently wore neck-braces, arm-bands, and waist-restrainers to ensure stillness. Even when the exposure time was reduced to a minute or less, this still removed the possibility of anything like instantaneousness or spontaneity in capturing identities. The possibility of a wide smile morphing into a smirk or a rictus was still present.

In the event, the emergence of new cultural models was needed to stimulate change. In the eighteenth century, the cult of sensibility had acted as a trigger: people wanted to cry and smile like their novelistic heroes and heroines. In the early twentieth century, new media took this path-breaking emulative role. Of prime importance was film and the associated medium of studio photography. More even than novels, film encouraged processes of identification with the lifestyle and self-presentation of celebrity of fantasy figures. Before the First World War, film studios in Hollywood started to make the posed images of their stars into media outputs with mass appeal. The smile was gradually becoming a key feature of this new medium.

Where film-stars led the way, private individuals followed, particularly in the inter-war period. Even some politicians began to go with the flow. By the beginning of the Second World War, the practice of saying “cheese” in front of a camera had begun. The display of teeth in photography was becoming the norm for those who watched films as much as for those who starred in them.

The triumph of the twentieth-century Smile Revolution stimulated a postmodernist response in the early 1960s to the emergent Smile Revolution. Andy Warhol’s ironically flat depiction in 1962 of thirty-two Campbell’s soup cans satirized art practice and taste as much as it did the mindless replicability of advertising images. Warhol added an extra twist in his Marilyn Monroe diptych, also in 1962. A witty commentary on the times, the work highlighted how the smile of this highly individualistic and charismatic film star was just as replicable as a can soup. (943 words)

Jones, C. (2017). The Smile Revolution in eighteenth-century Paris. Oxford University Press, with adaptations.

(summary length: up to 50 lines)

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A tarefa do resumo trouxe, como em anos anteriores, um texto de tipologia argumentativa. Apesar de não ser um texto muito longo, o texto pode ter apresentado dificuldade de compreensão e de reescritura para os candidatos, por se tratar de um texto sobre história sociocultural da perspectiva das artes.

“Having lost the opportunity opened at the creation of the United Nations, Brazil’s aspiration to become a Security Council permanent member remained to a great extent dormant. The option left in 1945 had been to be elected by the General Assembly as a nonpermanent member. Brazil has done so for several terms since 1946, with the important exception of a gap of almost two decades, from 1969 to 1987, when the country shied away from the Council.”

Garcia, E. V.; Coelho, N. B. R. (2018) A Seat at the Top? A Historical Appraisal of Brazil’s Case for the UN Security Council. SAGE Open, 1-13, with adaptations.

Considering each administration in Brazil between the period of 1992 and 2019, discuss Brazil’s attitude, approach and drive in search of a permanent seat in the United Nations Security Council. And, based on that historical background, briefly give your opinion on what Brazil’s future behavior could be, bearing in mind the recent confirmation of its seat on the council for the period of 2022-2023.

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A tarefa da redação trouxe um texto motivador curto e bastante claro. Por outro lado, o comando da questão era extenso e demandava que o candidato fizesse tanto uma avaliação histórica quanto projeções para o futuro. É uma tarefa complexa para ser desenvolvida entre 45-50 linhas e em tempo adequado. E, assim como em anos anteriors, é uma tarefa que exigia dos candidatos muito *specific content knowledge* e muita destreza no planejamento argumentativo.

A fala da língua

As técnicas modernas de mapeamento genético permitiram quantificar o que está à vista de todos. Enquanto nos Estados Unidos apenas 1% da população banca possui alguma ascendência africana, no Brasil a maioria dos brancos — cerca de 60% — pertence a linhagens africanas ou ameríndias em matéria de ascendência materna. O entrelaço genético se reflete no modo como os brasileiros se autoclassificar quando instados a declarar a cor de sua pele: de galega a sarará e de meio preta a cor de canela e puxa para branca, o léxico cromático se ramifica em vasta e anárquica teia de designações.

A linguagem do povo não é apenas um instrumento de comunicação na vida prática: ela incorpora elementos simbólicos e figurativos da cultura e traz inscrita em si mesma um modo particular de pensar e sentir. Há uma forma de vida embutida em nossa língua falada — a língua fala. Daí que, enquanto a presença de termos e expressões afro-indígenas no inglês norte-americano é rarefeita (ainda que não nula), ela transparece de forma ubíqua no português do Brasil. A permeabilidade da cultura luso-brasileira às culturas de raiz africana e ameríndia traduz-se em nossa fala comum e, como revela com exuberância de achados e exemplos o antropólogo baiano Antonio Risério, as áreas de maior influência linguística são justamente aquelas em que a presença afro-indígena passou a integrar o DNA da nossa cultura: a erótica-afetiva; a moral e os costumes; a culinária; música e dança, sem falar, é claro, no vasto domínio dos termos botânicos, zoológicos e toponímicos onde a presença do tupi é proeminente. A mistura das línguas do povo “inventa-línguas” é a mistura dos genes por outros meios. “O que quer, o que pode esta língua?” (288 words)

GIANETTI, Eduardo. Trópicos Utópicos: uma perspectiva brasileira da crise civilizatória. 1a. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, com adaptações.

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A texto da tarefa da versão este ano foi extremamente longo, mais longo até que em 2019 (246 palavras na ocasião). Assim como nos últimos cinco anos pelo menos, é um texto que fala sobre o Brasil (desta vez, cultura e língua). A tarefa exigia do candidato, como sempre, competência tradutória muito bem desenvolvida, testada em termos de subcompetência bilíngue, subcompetência extralinguística, subcompetência de conhecimentos de tradução e, sobretudo, subcompetência estratégica.

Any exchange of views about the underlying philosophy, structure, or operation of international relations begins with the concept of sovereignty. Viewed as “supreme authority”, it is the operational base of both international and domestic political life, although with quite opposite effects on the two realms. Ever since it surfaced as the bedrock organizational tenet of world politics in the latter part of the seventeenth century, it is, and has always been, a somewhat controversial foundation for world affairs. Dissension has surrounded matters such as the location of sovereignty and the extent of power that it conveys to its possessors, and concepts have evolved over time. Disagreements over sovereignty are conspicuous features of some debates about the evolving international order and the assault on its basic function is part and parcel of international conferring.

Seventeenth century nations witnessed the wresting of political power from the church and the attendant bestowal of this very power on secular authorities. This transfer was accompanied by the effective installation of sovereignty as the basis of relations among secular political communities. An ultimate outcome of this “marriage” was the association of sovereignty with territorial political jurisdictions. Mirroring the political period in which this concept became the bellwether of an evolving secular state-based system, sovereignty began as a principle that legitimized and promoted authoritarian rule. That principle was challenged with the rise of democratic thought, suggesting that sovereignty was a trait not only of the ruler but the ruled as well. From this challenge sprang the modern notion of popular sovereignty. (254 words)

Snow, D. M. (2019) Cases in International Relations – Principles and Applications. (8th ed.). Rowman & Littlefield, pp. 3-4, with adaptations.

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A tarefa da tradução este ano foi um texto bastante longo, assim como em 2019. Apesar de não ter sido um texto literário, como em 2019, o texto trazia diversos problemas de tradução, principalmente em termos de equivalências no nível das palavras e acima do nível das palavras.

Finalizo os comentários, chegando ao quinto e último texto da prova de tipo A.

Questão 43. Considering the ideas and the vocabulary of the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. In lines 29 and 30, the words “doubt” and “folly” have the same meaning.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Doubt significa “dúvida”, mas folly quer dizer algo como “estupidez”. Veja aqui.

2. In line 37, the word “sprang” is synonymous with originated.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é justamente o sentido de spring no contexto. Veja aqui.

3. From the information presented in the text, it is correct to infer that, thanks to their grasp of timeless geometrical and mathematical truths, Ancient Greeks generally understood the culture of the Bible.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O texto afirma que a cultura bíblica “would have been unintelligible to the Greeks” (linhas 35-36 e 47-48).

4. From the information presented in the text, it is correct to infer that Plato was a relativist.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Se Platão estava, como afirma o texto, em busca de verdades axiomáticas e de conhecimento absoluto, ele não poderia ser relativista.

Sigo com os comentários, agora a respeito do quarto texto da prova de tipo A.

Questão 40. Regarding the grammatical aspects of the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. The fragment “which all creations of a people seem to obey” (line 4) and which all creations of people seem to obey mean the same and can be used interchangeably.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. No texto, people é substantivo no singular, querendo dizer “povo”. No item, people é plural de person. Ou seja, o texto diz “que todas as criações de um povo parecem obedecer”, enquanto o item diz “que todas as criações das pessoas parecem obedecer”.

2. The two instances of “man” in the fragments “their mode of representing man” (line 24) and “Only one man ever shook” (line 26) refer to quite distinct concepts.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Na linha 24, man é uncountable noun e faz referência aos homens enquanto grupo, ou seja, à “humanidade”. Na linha 26, man é countable noun e quer dizer “homem”, fazendo referência a um homem em específico: Amenófis.

3. The two instances of “whom” in “whom he worshipped, and whom he had represented” (lines 31 and 32) can, in an informal context, be replaced with who, but “whom” and “who” play very different distinct grammar roles in a sentence.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. No registro formal, que é o registro do texto The Story of Art, who é usado como pronome sujeito em orações relativas, enquanto whom é usado como pronome objeto (quando o referente é pessoa, nos dois casos). No entanto, no registro informal, whom raramente é usado: o pronome who é usado inclusive como pronome objeto.

4. “Granted” (line 23) is a word used to acknowledge that something is true, before something about it is said.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é justamente o sentido do advérbio granted. Veja aqui.

Questão 41. Based on the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. In the fragment “no one asked him to be ‘original‘” (line 16), the underlined word is in inverted commas because originality, as we know it today, did not exist in Egyptian art.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. O uso das scare quotes mostra que o autor julga o uso do vocábulo original inapropriado para o contexto. Inapropriado, no caso, ao contexto histórico no qual essa produção artística acontecia, como o próprio autor explica neste parágrafo.

2. The fragment “shook the iron bars of the Egyptian style” (lines 26 and 27) means “to raise the required artistic standards further”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. No contexto, “shake the iron bars” diz respeito ao fato de esse faraó ter realizado mudanças em um estilo artístico tão estabelecido (o estilo egípcio, com todas as suas “strict laws”). No entanto, as mudanças realizadas por Amenófis não são, de acordo com o texto, permanentes na arte egípcia — e nem significam que o padrão artístico ficou mais elevado. O que o texto afirma é que ele foi o único homem a quebrar as regras, não que a partir dele as regras passaram a ser outras, com um padrão mais alto.

3. The author seems to suggest that some of Amenophis’ shortcomings are his physical appearance and mobility impairment.

O examinador não foi muito feliz na formulação desse item, por uma série de motivos. Supondo que “physical appearance”, no item, seja uma referência a “an ugly man” (linha 42) e que “mobility impairment”, no item, refira-se “leaning on a stick” (linha 41), algumas coisas ainda não ficam claras:

  • aparência física feia e dificuldades de mobilidade não são shortcomings — certamente não no texto. Não são características que impedem o faraó de ter suas realizações.
  • quando o item diz “some of his shortcomings”, isso significa que há outros shorcomings no texto, supostamente sugeridos por Gombrich (mas não há).
  • Gombrich afirma que apenas algumas das imagens do faraó o retratam como feio — não todas; além disso, a “feitura” nessas algumas imagens não necessariamente correspondem à realidade da aparência do faraó, já que o próprio Gombrich aventa a possibilidade de o faraó ter pedido aos artistas que assim fosse representado para mostrar sua fragilidade humana (não uma feitura “real”). É um capítulo sobre arte egípcia, não naturalismo.
  • “The author seems to suggest” tem tão pouca adesão de quem formulou o item que é até difícil entender quanta adesão o examinador imagina que Gombrich teria a sua interpretação.

O gabarito preliminar deu o item como CERTO, mas considero este item forte candidato a recursos.

4. For some of his subjects, Amenophis did not carry himself in as kingly a fashion as he should.

Vejo outro problema de formulação aqui: por que “some of his subjects”? O texto parece referir-se aos súditos em geral, e não a um grupo de súditos, quando diz “the pictures that he commissioned must have shocked the Egyptians of his day“.

O gabarito preliminar deu o item como CERTO, mas considero este item forte candidato a recursos.

Questão 42. As far as vocabulary is concerned, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. The expression “fall into place” (lines 2 and 3) means “to begin to make sense or to fit together”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é justamente o sentido de fall into place. Veja aqui.

2. The fragment “after his god” (line 34) means “prostrated himself in front of the deity”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. “He called himself Akhnaten, after his god” quer dizer que ele escolheu seu nome com base no nome do seu deus. Veja o sentido 14 de after aqui.

3. The word “novel”, in “novel character” (line 37), means “fictional, not based on real life”. 

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Novel é adjetivo no contexto, querendo dizer “novo, diferente”. Veja aqui.

4. The fragment “a homely idyll” (lines 47 and 48) describes perfect domestic or marital bliss.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é o sentido que se realiza no contexto. Veja aqui.

Sigo comentando a prova objetiva de inglês, agora com foco no terceiro texto da prova de tipo A.

Questão 38. Considering the ideas of the text, mark if the following items as right (C) or wrong (E).

  1. The author of the text expresses concern for the current standing of diplomats.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O autor do texto descreve as mudanças na forma como os diplomatas são vistos, mas não expressa, ao menos nesse trecho, preocupação com relação a essas mudanças.

2. The text states that contemporary diplomats have lost prestige compared to their predecessors.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. No passado, por estarem conectados a figuras de monarcas poderosos e de estados já bem estabelecidos, os diplomatas tinham status privilegiado e protegido. Hoje, de acordo com o texto, como os diplomatas também representam países, religiões e -ismos que não são bem vistos, seu status já não é o mesmo.

3. It is correct to infer from the text that being a diplomat is now more dangerous than it was in the past.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Se hoje o diplomata tornou-se um símbolo vulnerável, pois é associado a uma lógica de violência política, que substituiu a da imunidade diplomática, sim, é possível inferir com base no texto que ser diplomata hoje é mais perigoso que no passado.

4. According to the author, interstate norms of diplomacy have changed substantially in recent years.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O texto não fala sobre “interstate norms of diplomacy”, mas sim sobre como os diplomatas são vistos.

Questão 39. Considering the vocabulary of the text, mark the following items are right (C) or wrong (E).

  1. In line 3, the word “their” refers to the expression “venerable principals” from line 2.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O possessivo refere-se a “diplomats”: o fato de os diplomatas representarem, ao longo de séculos, líderes veneráveis garantiu o status protegido e privilegiado dos diplomatas.

2. In line 5, the expression “by and large” could be replaced with partially without changing the meaning of the sentence.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. By and large quer dizer “de forma geral”.

3. The word “-isms” in line 9 is a term often used to represent political ideologies and artistic movements.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Algumas amostras do COCA demonstram o que afirma o item:

“These readings illuminate elements of societal power structures, including how racism, classism, and able-ism (among other ” isms “) intersect and influence how music teachers teach and students learn”

“In this encyclical the ideological sparring partner of Benedict XVI is secularism in its various forms, especially atheism and relativism. This duo of ” isms ” is construed as a principal adversary of venerable and veritable Christian principles.”

“Changes since 1989 result mainly from the growth of three isms: multiculturalism, left-fascism, and Islamism.”

4. The word “others” in line 9 refers to those in the general public.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO: o pronome others, no contexto, faz referência a pessoas que não são diplomatas, ou seja, “those in the general public”.

Sigo comentando a prova objetiva de inglês, agora com foco no segundo texto da prova de tipo A.

Questão 37. Considering the vocabulary of the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. The word “very” in line 3 is synonymous with extremely.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Extremely é advérbio, mas o very que encontramos no texto não é advérbio — ou seja, não quer dizer “muito”. No texto, very é adjetivo e tem o sentido de “próprio/própria”: as transformações estão afetando a própria natureza da diplomacia.

2. The expression “of no great concern” in line 5 carries the notion of “having little importance”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Dizer que essas transformações “were once of no great concern to diplomacy” é dizer que elas, antigamente, não tinham grande importância no meio diplomático.

3. In lines 12 and 13, if one were to remove the phrase “, as well as the interchange between government and other domestic actors,”, the sentence that contained it would no longer make sense.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Se esse trecho fosse removido do texto, a passagem ainda faria sentido (não o mesmo sentido, mas faria sentido): “the way the exchange between states progresses is influencing diplomacy’s ability to act legitimately and effectively”.

4. In line 16, the pronoun “they” refers to “attributes”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O antecedente aqui é “diplomats”: os diplomatas não precisam mais dos mesmos atributos que outrora [os diplomatas] precisavam.