Nossa primeira leitura de 2022 será The strange story of the world, de Chigozie Obioma!

Ambientada na Nigéria, a história é narrada por um filho, que se lembra de quando seu pai perdeu tudo: emprego, dinheiro, status — e até parte de sua família. A personalidade do pai, sua forma de se relacionar com pessoas e o mundo, as tradições e superstições da cultura Igbo são magicamente reveladas na prosa de Obioma, um jovem escritor nigeriano que é considerado o herdeiro de Chinua Achebe. O conto foi publicado na revista Granta em 2019. 

Chigozie Obioma nasceu em 1986, em Akure, Nigéria, e traz muito da cultura Igbo em sua escrita. Hoje vive nos Estados Unidos, onde é professor de Literatura na Universidade de Nebraska–Lincoln. Seus livros The fishermen (2015) e An orchestra of minorities (2019) foram indicados para o Booker Prize. 

Desde dezembro de 2021, o CACD Inglês Book Club tem se dedicado à leitura de autores do Sul Global. Nosso clube de leitores é uma atividade gratuita e já conta com a participação de quase 300 alunos!

Nosso encontro será em 24/1, a partir das 20h! Quer juntar-se a nós? Preencha este formulário! 🙂

Neste mês de dezembro, nosso clube de leitores se dedicará à leitura de Refugee Tales – Volume III.

Refugee Tales é uma série de livros que resultou de um projeto realizado pelo Gatwick Detainees Welfare Group (GDWG), um grupo de apoio a imigrantes que foram detidos por período ilimitado na região do aeroporto de Gatwick (Londres). A série é inspirada em histórias desses imigrantes, contadas por autores como Abdulrazak Gurnah, vencedor do Prêmio Nobel da Literatura em 2021, e Bernardine Evaristo, vencedora do Booker Prize em 2019 junto com Margaret Atwood. De acordo com os organizadores do projeto 28 Tales for 28 Days, o Reino Unido é o único país da Europa que detém refugiados indefinidamente.

Assista a The Arriver’s Tale, contado por Abdulrazak Gurnah!

A série de livros já chegou a seu quarto volume, mas leremos o terceiro volume juntos. O livro pode ser adquirido via Kindle, e o valor é revertido para o GDWG.

Nosso encontro do clube de leitores se reunirá via Zoom em 20/12, a partir das 20h, para compartilharmos as histórias desses refugiados!

Quer participar? Preencha este formulário e seja bem-vind@ ao nosso CACD Inglês Book Club!

Durante muito tempo, pelo menos até o final do século 19, a tradução foi usada como principal método de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras. O Grammar-Translation Method preconizava que a aquisição de uma língua estrangeira se dava pelo estudo detalhado de suas estruturas gramaticais e pela aplicação dessas estruturas em exercícios de tradução da e para a língua estrangeira.

No século 20, conforme o foco da aprendizagem de idiomas foi passando das habilidades de compreensão e produção escrita para as habilidades de compreensão e produção oral, surgiu um novo método de ensino de idiomas. O Direct Method se contrapunha diretamente ao uso, em situações de aprendizagem de uma língua estrangeira, tanto da língua materna do aprendiz quanto de exercícios de tradução. 

Já em meados do século 20, o Direct Method passou a ser questionado, e muitas novas abordagens surgiram, como o Natural Approach e o Communicative Language Teaching (CLT). Essas novas abordagens preconizam o uso da língua estrangeira em situações de aprendizagem através de tarefas autênticas e interativas. A tradução, nessas abordagens, não é necessariamente proibida, mas também não é o foco, que é a proficiência na comunicação oral.

Nas abordagens que surgiram desde então, muitas delas como variações do próprio CLT, a tradução tem sido retomada, de formas diversas, como método de aprendizagem. Veja algumas das vantagens do uso da tradução como método de aprendizagem de idiomas:

Tradução como “scaffolding”

Mesmo em contextos comunicativos, a tradução pode ser usada para aproveitar os conhecimentos linguísticos prévios do aprendiz (sobre sua língua materna) para a aquisição de novos conhecimentos linguísticos (sobre a língua estrangeira). Essa técnica pode ser particularmente útil quando o aprendiz está no início da aquisição da língua estrangeira.

Tradução como análise contrastiva

Não só os aprendizes em níveis básicos têm a ganhar com a tradução pedagógica: mesmo entre aprendizes com conhecimentos avançados da língua estrangeira, a tradução pode ser usada para conscientizar o aprendiz dos contrastes entre os idiomas (língua materna e língua estrangeira), assim minimizando as interferências da língua materna na aquisição da língua estrangeira e muitas vezes até evitando fossilizações. 

Tradução e aquisição de vocabulário

A tradução pedagógica também é uma ótima forma de promover a aquisição de vocabulário. Ao traduzir diferentes tipos de texto, o aprendiz faz uso de itens lexicais que, caso trabalhasse apenas em textos produzidos por si mesmo, talvez nunca viesse a aprender. 

Tradução e competência instrumental

O uso de exercícios de tradução, mesmo em contextos comunicativos, pode ajudar a desenvolver a competência instrumental dos aprendizes, através do uso consciente de dicionários bilíngues, monolíngues e especializados, além de glossários e corpora. Isso contribui para ganhos linguísticos diversos, além de contribuir para a maior autonomia do aprendiz em seus estudos da língua estrangeira.

Tradução e plurilinguismo

No mundo globalizado, a comunicação multilíngue é uma realidade: cada vez mais, vemos a necessidade, inclusive no mundo profissional, de pessoas que saibam não só se comunicar em mais de um idioma, mas também mediar entre esses idiomas. O próprio Quando Comum Europeu de Referência para Línguas (CEFR), elaborado pelo Conselho da Europa, afirma que o objetivo do aprendiz de línguas estrangeiras deve ser o plurilinguismo e a intercultura. O aprendiz deve ser capaz de “mediate, through interpretation and translation, between speakers of the two languages”. 

Tradução, a quinta habilidade!

Por muito tempo deixada de fora da sala de aula, na qual se trabalhavam “as quatro habilidades” (speaking, listening, reading e writing), a tradução pode ser vista como a quinta habilidade a ser desenvolvia. De acordo com Pym et al., a tradução é “a fifth skill to be practised within the language classroom, alongside reading, listening, speaking and writing in the two languages independently”. Assim, a aquisição de uma língua estrangeira, para além da fala, da escuta, da leitura e da escrita, também pode se dar pela tradução. Para Pym et al., “translation is somehow inherent in the language-learning process itself; […] it is a skill that is as fundamental to the bilingual mind as each of the other skills is to monolingual and bilingual minds alike. In this view, translation is a way (or set of ways) of learning a second or foreign language, and not just a way of training professional translators and interpreters”.

Referências 

CALVO CAPILLA; RIDD. A tradução como atividade contrastava e de conscientização na aprendizagem de línguas próximas. Horizontes de linguística aplicada, v. 8, n. 2, p. 1501-69, 2009.

COUNCIL OF EUROPE. Common European Framework of Reference for Languages: Learning, Teaching, Assessment. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.

PYM, Anthony; MALMKJAER, Kirsten; GUTIERREZ-COLON PLANA, Mar. Translation and language learning: the role of translation in the teaching of languages in the European Union. A study. Luxembourg: Publications Office of the European Union, 2013.

RICHARDS, J.; RODGERS, T. Approaches and methods in language teaching. Cambridge: Cambridge University Press, 1986.

Voltamos com as atividades do nosso Book Club, e nossa próxima leitura será Animal Farm, de George Orwell!

Certa noite, os animais da fazenda do Sr. Jones se reúnem para ouvir Major, um porco, lhes contar sobre um sonho que teve, sobre um mundo onde todos os animais são livres e iguais. Inspirados na filosofia do Animalismo, os animais então organizam uma revolução!

Publicado em 1945, Animal Farm é sátira política que nos remete à Revolução Bolchevique de 1917. O enredo, resumido no mandamento “all animals are equal, but some are more equal than others”, nos leva a refletir sobre a busca pela liberdade, pela igualdade e pelo poder.

Edição

Qualquer edição de Animal Farm pode ser usada para nossa leitura.

Como o objetivo é desenvolver uma atividade de extensive reading, os alunos que ainda não têm nível avançado poder ler versões facilitadas. Uma opção é a edição da Penguin Readers (alunos do CACD Step by Step: Step 2 em diante) e outra é a edição da Pearson (para alunos que concluíram o CACD Step by Step).

Encontro

Nosso encontro acontecerá em novembro (data a definir) via Zoom. Nele, discutiremos a obra e faremos uma atividade de tradução.

Participe!

O Book Club é uma atividade gratuita, e todos os alunos do CACD Inglês e/ou do Curso Ideg estão convidados a participar! Para entrar em nosso clube de leitores, preencha este formulário!

The Smile Revolution of the late eighteenth-century France had proved a false dawn — or a damp squib. It would not be until the twentieth century that the smile made what has proved to be a spectacular comeback. This was initially a slow process, but the twentieth-century Smile Revolution was complete by the middle decades of the century. As with its predecessor in the eighteenth century, it was a complex phenomenon which involved social and cultural as well as scientific and technological changes. France was not in the vanguard of change as it had been earlier. Now, particularly in the later stages, the USA led the way.

The virtual prohibition on the use of the white-tooth smile in western portraiture had been ended by Madame Vigée Le Brun in 1787. The smile did thereafter feature in portraits, as we have suggested, but it was still very much a minority taste. And it remained very heavily gendered. Women might occasionally be shown with white-tooth smiles, but this was invariably seen as an unbecoming gesture for males. In France, no artistic movement embraced white teeth as wholeheartedly as, for example, the Pre-Raphaelites in England. Oddly, the artistic movements which did highlight the open mouth in their art, following the wake of Edvard Munch’s The Scream (1893), were the expressionists, the Dadaists, and the Surrealists. For them, the open mouth and the display of teeth were more likely to be linked to the grimace, the Democritan smile of mockery, or the gaping Gothic hole.

Taken overall, the upshot of Le Brun’s work was to endorse de convention that, in Western art, if one wanted to be portrayed pleasantly smiling (as opposed to laughing), then it was best to smile like Leonardo da Vinci’s Mona Lisa. Her smile — which, though admired, was not in fact a great favourite in Elightenment France — had been gracious, genteel, controlled and mild. The Mona Lisa was not alone in smiling, but she was also best minded to keep her mouth firmly shut. For individuals to have their mouths open in a painting in Western art, back to Antiquity, generally signified that, if they were not in the grip of extreme passion, they were plebeian or insane. The dark, forbidding facial orifices of beggars, gypsies, strolling players, and other social marginal portrayed by Caravaggio, Georges de La Tour, Velazquez, and others fitfully generate a sense of menace.

England’s Queen Victoria was famously “not amused”, and her official portraits are certainly very glum. In fact, in 1843, she commissioned the German court artist Franz-Xavier Winterhalter to paint an intimate portrait of her to present as a special gift to her new husband, Prince Albert. She chose to be represented in reclining fashion, smiling charmingly, and displaying her teeth. This probably makes her the first European monarch to wear the Vigée Le Brun smile in a portrait. Yet the circumstances of the commission were significant. Victoria made the painting a personal gift to Albert, and hung it in their private suite. It was never seen publicly in her lifetime.

Only right at the very end of the nineteenth century were teeth and smiles timidly finding their way more evidently into painted portraits. Interestingly, it seems to have been female artists, such as Berthe Morisot and Mary Cassatt, who gave lead to this. The pace of change was initially slower in regard to photographic portraiture. Strangely, perhaps, given the new medium’s more naturalistic, even documentary potential, white teeth failed to establish themselves in photography in the nineteenth century. There were technical reasons for this. For all the nineteenth century, and especially during the early days, posing times were long (thirty minutes at first). In the 1860s and 1870s, sitters frequently wore neck-braces, arm-bands, and waist-restrainers to ensure stillness. Even when the exposure time was reduced to a minute or less, this still removed the possibility of anything like instantaneousness or spontaneity in capturing identities. The possibility of a wide smile morphing into a smirk or a rictus was still present.

In the event, the emergence of new cultural models was needed to stimulate change. In the eighteenth century, the cult of sensibility had acted as a trigger: people wanted to cry and smile like their novelistic heroes and heroines. In the early twentieth century, new media took this path-breaking emulative role. Of prime importance was film and the associated medium of studio photography. More even than novels, film encouraged processes of identification with the lifestyle and self-presentation of celebrity of fantasy figures. Before the First World War, film studios in Hollywood started to make the posed images of their stars into media outputs with mass appeal. The smile was gradually becoming a key feature of this new medium.

Where film-stars led the way, private individuals followed, particularly in the inter-war period. Even some politicians began to go with the flow. By the beginning of the Second World War, the practice of saying “cheese” in front of a camera had begun. The display of teeth in photography was becoming the norm for those who watched films as much as for those who starred in them.

The triumph of the twentieth-century Smile Revolution stimulated a postmodernist response in the early 1960s to the emergent Smile Revolution. Andy Warhol’s ironically flat depiction in 1962 of thirty-two Campbell’s soup cans satirized art practice and taste as much as it did the mindless replicability of advertising images. Warhol added an extra twist in his Marilyn Monroe diptych, also in 1962. A witty commentary on the times, the work highlighted how the smile of this highly individualistic and charismatic film star was just as replicable as a can soup. (943 words)

Jones, C. (2017). The Smile Revolution in eighteenth-century Paris. Oxford University Press, with adaptations.

(summary length: up to 50 lines)

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A tarefa do resumo trouxe, como em anos anteriores, um texto de tipologia argumentativa. Apesar de não ser um texto muito longo, o texto pode ter apresentado dificuldade de compreensão e de reescritura para os candidatos, por se tratar de um texto sobre história sociocultural da perspectiva das artes.

“Having lost the opportunity opened at the creation of the United Nations, Brazil’s aspiration to become a Security Council permanent member remained to a great extent dormant. The option left in 1945 had been to be elected by the General Assembly as a nonpermanent member. Brazil has done so for several terms since 1946, with the important exception of a gap of almost two decades, from 1969 to 1987, when the country shied away from the Council.”

Garcia, E. V.; Coelho, N. B. R. (2018) A Seat at the Top? A Historical Appraisal of Brazil’s Case for the UN Security Council. SAGE Open, 1-13, with adaptations.

Considering each administration in Brazil between the period of 1992 and 2019, discuss Brazil’s attitude, approach and drive in search of a permanent seat in the United Nations Security Council. And, based on that historical background, briefly give your opinion on what Brazil’s future behavior could be, bearing in mind the recent confirmation of its seat on the council for the period of 2022-2023.

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A tarefa da redação trouxe um texto motivador curto e bastante claro. Por outro lado, o comando da questão era extenso e demandava que o candidato fizesse tanto uma avaliação histórica quanto projeções para o futuro. É uma tarefa complexa para ser desenvolvida entre 45-50 linhas e em tempo adequado. E, assim como em anos anteriors, é uma tarefa que exigia dos candidatos muito *specific content knowledge* e muita destreza no planejamento argumentativo.

A fala da língua

As técnicas modernas de mapeamento genético permitiram quantificar o que está à vista de todos. Enquanto nos Estados Unidos apenas 1% da população banca possui alguma ascendência africana, no Brasil a maioria dos brancos — cerca de 60% — pertence a linhagens africanas ou ameríndias em matéria de ascendência materna. O entrelaço genético se reflete no modo como os brasileiros se autoclassificar quando instados a declarar a cor de sua pele: de galega a sarará e de meio preta a cor de canela e puxa para branca, o léxico cromático se ramifica em vasta e anárquica teia de designações.

A linguagem do povo não é apenas um instrumento de comunicação na vida prática: ela incorpora elementos simbólicos e figurativos da cultura e traz inscrita em si mesma um modo particular de pensar e sentir. Há uma forma de vida embutida em nossa língua falada — a língua fala. Daí que, enquanto a presença de termos e expressões afro-indígenas no inglês norte-americano é rarefeita (ainda que não nula), ela transparece de forma ubíqua no português do Brasil. A permeabilidade da cultura luso-brasileira às culturas de raiz africana e ameríndia traduz-se em nossa fala comum e, como revela com exuberância de achados e exemplos o antropólogo baiano Antonio Risério, as áreas de maior influência linguística são justamente aquelas em que a presença afro-indígena passou a integrar o DNA da nossa cultura: a erótica-afetiva; a moral e os costumes; a culinária; música e dança, sem falar, é claro, no vasto domínio dos termos botânicos, zoológicos e toponímicos onde a presença do tupi é proeminente. A mistura das línguas do povo “inventa-línguas” é a mistura dos genes por outros meios. “O que quer, o que pode esta língua?” (288 words)

GIANETTI, Eduardo. Trópicos Utópicos: uma perspectiva brasileira da crise civilizatória. 1a. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, com adaptações.

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A texto da tarefa da versão este ano foi extremamente longo, mais longo até que em 2019 (246 palavras na ocasião). Assim como nos últimos cinco anos pelo menos, é um texto que fala sobre o Brasil (desta vez, cultura e língua). A tarefa exigia do candidato, como sempre, competência tradutória muito bem desenvolvida, testada em termos de subcompetência bilíngue, subcompetência extralinguística, subcompetência de conhecimentos de tradução e, sobretudo, subcompetência estratégica.

Any exchange of views about the underlying philosophy, structure, or operation of international relations begins with the concept of sovereignty. Viewed as “supreme authority”, it is the operational base of both international and domestic political life, although with quite opposite effects on the two realms. Ever since it surfaced as the bedrock organizational tenet of world politics in the latter part of the seventeenth century, it is, and has always been, a somewhat controversial foundation for world affairs. Dissension has surrounded matters such as the location of sovereignty and the extent of power that it conveys to its possessors, and concepts have evolved over time. Disagreements over sovereignty are conspicuous features of some debates about the evolving international order and the assault on its basic function is part and parcel of international conferring.

Seventeenth century nations witnessed the wresting of political power from the church and the attendant bestowal of this very power on secular authorities. This transfer was accompanied by the effective installation of sovereignty as the basis of relations among secular political communities. An ultimate outcome of this “marriage” was the association of sovereignty with territorial political jurisdictions. Mirroring the political period in which this concept became the bellwether of an evolving secular state-based system, sovereignty began as a principle that legitimized and promoted authoritarian rule. That principle was challenged with the rise of democratic thought, suggesting that sovereignty was a trait not only of the ruler but the ruled as well. From this challenge sprang the modern notion of popular sovereignty. (254 words)

Snow, D. M. (2019) Cases in International Relations – Principles and Applications. (8th ed.). Rowman & Littlefield, pp. 3-4, with adaptations.

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A tarefa da tradução este ano foi um texto bastante longo, assim como em 2019. Apesar de não ter sido um texto literário, como em 2019, o texto trazia diversos problemas de tradução, principalmente em termos de equivalências no nível das palavras e acima do nível das palavras.

Finalizo os comentários, chegando ao quinto e último texto da prova de tipo A.

Questão 43. Considering the ideas and the vocabulary of the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. In lines 29 and 30, the words “doubt” and “folly” have the same meaning.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Doubt significa “dúvida”, mas folly quer dizer algo como “estupidez”. Veja aqui.

2. In line 37, the word “sprang” is synonymous with originated.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é justamente o sentido de spring no contexto. Veja aqui.

3. From the information presented in the text, it is correct to infer that, thanks to their grasp of timeless geometrical and mathematical truths, Ancient Greeks generally understood the culture of the Bible.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. O texto afirma que a cultura bíblica “would have been unintelligible to the Greeks” (linhas 35-36 e 47-48).

4. From the information presented in the text, it is correct to infer that Plato was a relativist.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Se Platão estava, como afirma o texto, em busca de verdades axiomáticas e de conhecimento absoluto, ele não poderia ser relativista.

Sigo com os comentários, agora a respeito do quarto texto da prova de tipo A.

Questão 40. Regarding the grammatical aspects of the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. The fragment “which all creations of a people seem to obey” (line 4) and which all creations of people seem to obey mean the same and can be used interchangeably.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. No texto, people é substantivo no singular, querendo dizer “povo”. No item, people é plural de person. Ou seja, o texto diz “que todas as criações de um povo parecem obedecer”, enquanto o item diz “que todas as criações das pessoas parecem obedecer”.

2. The two instances of “man” in the fragments “their mode of representing man” (line 24) and “Only one man ever shook” (line 26) refer to quite distinct concepts.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Na linha 24, man é uncountable noun e faz referência aos homens enquanto grupo, ou seja, à “humanidade”. Na linha 26, man é countable noun e quer dizer “homem”, fazendo referência a um homem em específico: Amenófis.

3. The two instances of “whom” in “whom he worshipped, and whom he had represented” (lines 31 and 32) can, in an informal context, be replaced with who, but “whom” and “who” play very different distinct grammar roles in a sentence.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. No registro formal, que é o registro do texto The Story of Art, who é usado como pronome sujeito em orações relativas, enquanto whom é usado como pronome objeto (quando o referente é pessoa, nos dois casos). No entanto, no registro informal, whom raramente é usado: o pronome who é usado inclusive como pronome objeto.

4. “Granted” (line 23) is a word used to acknowledge that something is true, before something about it is said.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é justamente o sentido do advérbio granted. Veja aqui.

Questão 41. Based on the text, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. In the fragment “no one asked him to be ‘original‘” (line 16), the underlined word is in inverted commas because originality, as we know it today, did not exist in Egyptian art.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. O uso das scare quotes mostra que o autor julga o uso do vocábulo original inapropriado para o contexto. Inapropriado, no caso, ao contexto histórico no qual essa produção artística acontecia, como o próprio autor explica neste parágrafo.

2. The fragment “shook the iron bars of the Egyptian style” (lines 26 and 27) means “to raise the required artistic standards further”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. No contexto, “shake the iron bars” diz respeito ao fato de esse faraó ter realizado mudanças em um estilo artístico tão estabelecido (o estilo egípcio, com todas as suas “strict laws”). No entanto, as mudanças realizadas por Amenófis não são, de acordo com o texto, permanentes na arte egípcia — e nem significam que o padrão artístico ficou mais elevado. O que o texto afirma é que ele foi o único homem a quebrar as regras, não que a partir dele as regras passaram a ser outras, com um padrão mais alto.

3. The author seems to suggest that some of Amenophis’ shortcomings are his physical appearance and mobility impairment.

O examinador não foi muito feliz na formulação desse item, por uma série de motivos. Supondo que “physical appearance”, no item, seja uma referência a “an ugly man” (linha 42) e que “mobility impairment”, no item, refira-se “leaning on a stick” (linha 41), algumas coisas ainda não ficam claras:

  • aparência física feia e dificuldades de mobilidade não são shortcomings — certamente não no texto. Não são características que impedem o faraó de ter suas realizações.
  • quando o item diz “some of his shortcomings”, isso significa que há outros shorcomings no texto, supostamente sugeridos por Gombrich (mas não há).
  • Gombrich afirma que apenas algumas das imagens do faraó o retratam como feio — não todas; além disso, a “feitura” nessas algumas imagens não necessariamente correspondem à realidade da aparência do faraó, já que o próprio Gombrich aventa a possibilidade de o faraó ter pedido aos artistas que assim fosse representado para mostrar sua fragilidade humana (não uma feitura “real”). É um capítulo sobre arte egípcia, não naturalismo.
  • “The author seems to suggest” tem tão pouca adesão de quem formulou o item que é até difícil entender quanta adesão o examinador imagina que Gombrich teria a sua interpretação.

O gabarito preliminar deu o item como CERTO, mas considero este item forte candidato a recursos.

4. For some of his subjects, Amenophis did not carry himself in as kingly a fashion as he should.

Vejo outro problema de formulação aqui: por que “some of his subjects”? O texto parece referir-se aos súditos em geral, e não a um grupo de súditos, quando diz “the pictures that he commissioned must have shocked the Egyptians of his day“.

O gabarito preliminar deu o item como CERTO, mas considero este item forte candidato a recursos.

Questão 42. As far as vocabulary is concerned, mark the following items as right (C) or wrong (E).

  1. The expression “fall into place” (lines 2 and 3) means “to begin to make sense or to fit together”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é justamente o sentido de fall into place. Veja aqui.

2. The fragment “after his god” (line 34) means “prostrated himself in front of the deity”.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. “He called himself Akhnaten, after his god” quer dizer que ele escolheu seu nome com base no nome do seu deus. Veja o sentido 14 de after aqui.

3. The word “novel”, in “novel character” (line 37), means “fictional, not based on real life”. 

Concordo com o gabarito preliminar: o item está ERRADO. Novel é adjetivo no contexto, querendo dizer “novo, diferente”. Veja aqui.

4. The fragment “a homely idyll” (lines 47 and 48) describes perfect domestic or marital bliss.

Concordo com o gabarito preliminar: o item está CERTO. Esse é o sentido que se realiza no contexto. Veja aqui.