Argumentative Essay

Na tarefa Composition, na prova de inglês de segunda fase, a banca examinadora espera que os candidatos desenvolvam um texto no gênero argumentative essay, que tem convenções bastante específicas no que diz respeito à forma como o texto deve ser organizado. Conhecer as convenções desse gênero textual é, portanto, essencial para garantir uma boa nota no quesito “organização do texto e desenvolvimento do tema”, que vale 50% da nota total da Composition.

No curso on-line Argumentative Essay, você aprenderá como organizar melhor suas compositions, em termos de pre-writing, while-writing e post-writing activities. Daremos atenção especial às convenções associadas à escrita da introduction, dos argumentative paragraphs e da conclusion.

Após o curso, você pode ter uma redação avaliada pela professora, com correções detalhadas e sugestão de plano de estudos: basta contratar o pacote curso + correção.

Não há lista de espera para este curso, mas as vagas são limitadas. Para receber mais informações sobre o curso e garantir sua vaga, escreva para contato@cacdingles.com!

Cheers!

“So difficult it is to show the various meanings and imperfections of words when we have nothing else but words to do it with.”

~John Locke

 

Por muito tempo, as palavras foram pensadas como a principal unidade gramatical e lexical. Gramaticalmente, conhecemos as palavras como verbos, substantivos, adjetivos, advérbios… Em termos de léxico, os dicionários são normalmente organizados em verbetes, em ordem alfabética, os quais correspondem a palavras.  Nessa forma de ver a linguagem, um texto seria uma sequência de palavras sintaticamente organizadas. Para produzir um texto, portanto, bastaria escolher quaisquer palavras ‘que fazem sentido’ e organizá-las de acordo com as regras gramaticais.

A essa visão da linguagem subjaz a presunção de que a gramática é regular e de que o léxico é irregular, ou seja, de que há padrões gramaticais a ser observados na construção de um texto (concordância, transitividade etc.), mas de que não haveria algo como “padrões lexicais”. No entanto, o desenvolvimento da linguística de corpus, nas últimas décadas, nos abre os olhos para o exato oposto dessa presunção: o léxico não é “irregular”; as palavras em um texto não estão organizadas apenas por relações sintáticas, mas também por relações lexicais; os padrões sintáticos e os padrões lexicais não podem ser separados.

Isso pode parecer uma conversa “muito técnica” para quem está “só” estudando inglês para passar no CACD (muitas aspas por aqui rs), mas assim como a dicotomia entre gramática e léxico tem sido questionada, a dicotomia entre teoria e prática também precisa ser repensada. Afinal, quem está “só” estudando inglês para passar no CACD será avaliado por uma banca que conhece a teoria e que espera que a prática dos candidatos esteja alinhada a ela (como veremos em comentários da própria banca abaixo).

Por isso, para quem está “só” estudando inglês para passar no CACD, é absolutamente fundamental, em seus estudos de vocabulário e de produção de texto em língua inglesa, pensar a questão do sentido para além das palavras isoladas. Neste artigo, discutirei como a escolha de palavras para um texto é limitada tanto por restrições gramaticais quanto por restrições lexicais. Abordarei os conceitos de collocation e colligation, e a relevância dessa discussão “muito técnica” para seus estudos de língua inglesa para o CACD.

Collocation

Se abrirmos um thesaurus (um dicionário de sinônimos) no verbete strong, encontraremos entre seus sinônimos a palavra powerful. Isso significa que seus sentidos são semelhantes. No entanto, é natural dizer, em inglês, I prefer strong tea, mas não I prefer powerful tea. Isso porque, ao escolhermos usar a palavra tea, existe, concomitantemente, uma co-seleção de adjetivos que são, de fato, usados com essa palavra. Essa co-ocorrência frequente de palavras é o que chamamos de collocation. Assim, nas palavras de Mona Baker, “meaning cannot always account for collocational patterning”: muito embora a palavra powerful isoladamente faça “sentido”, ela simplesmente não é usada em combinação com tea.

Isso acontece porque as palavras tendem a ocorrer juntas e a formar sentidos em sua combinação. É a combinação que faz sentido, não a palavra individualmente. Como explica John Sinclair, “the flow in meaning is not from the item [word] to the text but form the text to the item [word]”. Dou um exemplo paradigmático: na collocation “white wine”, white não quer dizer “something that is the same color of milk or snow”. White wine is not “white”! Mas o adjetivo white ganha sentido porque a combinação lhe confere sentido. Existe, portanto, uma interdependência entre a palavra e as outras palavras que a cercam. Quando essa dependência é lexical, ela e chamada de collocation.

Esse fenômeno da collocation não é restrito a uns poucos casos: a maior parte dos sentidos necessita da presença de mais palavras para sua realização. É por isso que John Sinclair afirma que “the word is not the best starting-point for a description of meaning, because meaning arises from words in particular combination”. Não estou aqui discutindo phrasal verbs, idiomatic expressions, set phrases ou provérbios; nesses casos, é bem óbvio que não há independência entre as palavras: ao escolher uma das palavras que formam essas multi-word expressions, já automaticamente co-selecionamos todas as outras. A discussão aqui é sobre a escolha de palavras em geral. Um texto não deve ser pensando como uma série de escolhas de palavras independentes: há padrões de combinações que são responsáveis pelo sentido, pela naturalidade, pela espontaneidade do texto. Nas pesquisas mencionadas por John Sinclair, cerca de 80% da ocorrência de palavras se dá não por escolhas independentes, mas sim por co-seleção. Em suas palavras, “a large proportion of the word occurrence is the result of co-selection—that is to say, more than one word is selected in a single choice”.

Dessa forma, ainda segundo Sinclair, “complete freedom of choice, then, of a single word is rare”. Ao escolhermos uma palavra para usar em um texto, automaticamente já devemos co-selecionar outras, não só com base em seus sentidos, mas sim em com qual frequência elas de fato ocorrem com a palavras que já selecionamos. Afinal, de acordo com Sinclair, “language is characterized by having hundreds of thousands of meanings that are not in fact available”.

O que vimos até agora, ao discutirmos collocation, é que 1) não existe liberdade completa na escolha de palavras, já que são as combinações que conferem sentido às palavras e que 2) por isso mesmo, a palavra como menor unidade lexical é algo muito problemático em termos de sentido. O léxico é, ao contrário do que muitos pensam, altamente “regular”: há tendências fraseológicas, padrões lexicais, que precisam ser observados para que de fato se produza sentido em um texto. Assim, a escolha de palavras é limitada por restrições lexicais.

Colligation

A escolha de palavras, além disso, também é limitada por restrições gramaticais. A escolha de uma só palavra pode determinar um padrão sintático. Por exemplo, se quero usar a palavra able, em uma construção como “capaz de fazer algo”, automaticamente já seleciono o complemento desse adjetivo: able to do something, não “able of doing something”. Já quando seleciono o substantivo possibility, em uma construção como “possibilidade de fazer algo”, automaticamente já seleciono o complemento: possibility of doing something, não “possibility to do something”. Não há uma “regra gramatical” aqui; o que se observa é o fenômeno da colligation, que é a co-ocorrência de palavras com escolhas gramaticais. Ao usar a palavra able naquela construção, é preciso co-selecionar o verbo no infinitivo; ao usar a palavra possibility naquela construção, é preciso co-selecionar o sintagma preposicional. A co-seleção, aqui, afeta a gramaticalidade do texto.

Mais uma vez, vemos como a escolha de palavras não é livre: ao selecionar uma palavra, já selecionamos, inclusive, padrões sintáticos. A gramática, portanto, não é autônoma ou completamente separada do léxico.

Relevância para o CACD

Não há dúvidas de que a banca conhece e reconhece tais padrões lexicais e sintáticos. Copio, aqui, alguns comentários escritos pelo examinador em respostas a recursos interpostos no CACD 2017:

“A colocação correta para o contexto é ‘on’, como no exemplo ‘She’s by far the biggest influence on my writing’.”

“’Surprising for’ mal aparece em corpora em geral e quando o faz, raramente se trata de fonte confiável, que siga os preceitos da norma culta”

“A expressão ‘to create something in aspects’ carece de idiomaticidade, pois as regras de colocação foram violadas aqui.”

“Há, aqui, um erro de colocação. A escolha lexical ‘afffordable dream’ não é uma combinação viável, pois carece de idiomaticidade.”

“Há, aqui, um erro de colocação. A escolha lexical ‘handle negotiations’ não é uma combinação viável, pois carece de idiomaticidade. Verbos que se colocam com ‘negotiations’ são, entre outros, ‘enter into, open, conduct.”

“A combinação lexical ‘unavoidable countries’ carece de idiomaticidade. Ferem-se, aqui, as leis de colocação.”

 

Cito aqui também alguns exemplos de textos de candidatos em que a parte grifada foi considerada errada por causa de colligation:

He also argued that the homogeneous aspects of capital flows are still to capable to impose their global power.

Although one cannot agree with Carl Gustav Jung about the difficulty to disturb the security (…)

Fica mais do que patente, considerando todos os exemplos acima, que collocations e colligation não são preocupações “muito técnicas” para quem “só” estuda inglês para passar no CACD: a banca reconhece, em suas correções e respostas a recursos, que a escolha de palavras não é livre e que há padrões lexicais e sintáticos que devem ser observados. E isso é algo que deve interferir na forma como você estuda vocabulário e produção de texto para o concurso! No próximo post, discutirei algumas estratégias de estudo para candidatos que sabem que é preciso pensar além das palavras isoladas para produzir textos com “correção gramatical e propriedade da linguagem”, um critério de correção que existe para todas as quatro tarefas da prova discursiva de inglês no CACD.

Cheers!

 

Bilbliografia

Mona Baker. In Other Words: a coursebook on translation. Routledge, 2011.

John Sinclair. Trust the Text: language, corpus and discourse. Routledge, 2004.

Na língua inglesa, é possível usar um substantivo (noun) para modificar outro substantivo, funcionando assim como se fosse um adjetivo. Quando usado dessa forma, chamamos esse substantivo de attributive noun ou noun adjunct. No caso, por exemplo, de chicken soupchicken é um attibutive noun que modifica o substativo soup.

Attributive nouns são bastante comuns na língua inglesa, porém seu uso pode, por vezes, causar ambiguidade e/ou falta de clareza. Como essa estrutura noun + noun não apresenta elementos que conectem esses substantivos, como preposições ou mesmo apóstrofos, a relação entre os substantivos acaba dependendo das inferências do interlocutor. Por exemplo, na manchete Woman Killer At Large, é difícil determinar, sem conhecer o  contexto, se a reportagem é sobre uma mulher assassina ou sobre um assassino de mulheres. Da mesma forma, se não conhecermos o jargão health information science, poderíamos crer que isso é algo que esteja relacionado a the science of health information ou a the information science of health.

Essa possibilidade de falta de clareza e/ou ambiguidade também é verificada quando uma série de substantivos (noun string) é usada para modificar um outro substantivo. Na frase “MHS has a hospital employee relations improvement program“, perceba que o noun string consiste de cinco substantivos e que isso pode gerar alguma dificuldade de compreensão. Para que essa frase fique mais clara, ela poderia ser escrita da seguinte forma: “MHS has a program to improve relations among hospital employees“.

Para evitar noun strings, é preciso, portanto, transformar substantivos em verbos, usar preposições etc. É claro que isso geralmente torna a linguagem menos concisa (o que é uma preocupação legítima principalmente na tarefa Summary), mas expressar ideias com clareza é tão importante quanto ser conciso – além disso, há outras formas de escrever um texto conciso. Por isso, seguem alguns exemplos de noun strings seguidos de estruturas melhoradas com o objetivo de mostrar não só como a falta de clareza é comum em casos de noun strings, mas também quais estratégias, em termos de substituição de palavras, podem ser usadas para tornar um texto mais claro.

Noun string: NASA continues to work on the International Space Station astronaut living-quarters module development project.

Improved structure: NASA is still developing the module that will provide living quarters for the astronauts aboard the International Space Station.

Noun stringMunicipal Solid Waste Classification Methodology

Improved structure: Methodology for Classifying Municipal Solid Waste

Noun stringUnderground Mine Worker Safety Protection Procedures

Improved structure: Procedures for Protecting the Safety of Mine Workers

Cheers!

Fontes:

MURPHY, Raymond. English Grammar in Use. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

The Writing Center @ The University of Winsconsin – Madison

The UVic Writer’s Guide

Wikipedia

Partindo do pressuposto de que todos nós somos capazes de melhorar nossa habilidade de writing por meio da percepção e da prática de alguns princípios básicos relacionados a uma escrita clara, concisa e coerente, este primeiro post sobre writing trata de um dos requisitos mais essenciais para uma escrita clara: evitar o abstrato.

As frases normalmente são compostas por palavras de diversas classes gramaticais e geralmente incluem um ou mais substantivos. Há muitos tipos de substantivos (nouns) em inglês, porém o que nos interessa neste post são os concretos e os abstratos. Um substantivo concreto é algo que é perceptível, tangível – algo que se pode tocar, ver, como “wood”, “blood”, “hair”. Substantivos abstratos fazem referência a ideias, conceitos, qualidades, estados mentais: “beauty”, “fascism”, “doubt”, “truth”, “fear”. Não há problema algum em usar substantivos abstratos, desde que sejam empregados da forma correta. O problema com o uso de substantivos abstratos é que, muitas vezes, ao usá-los, acabamos por esvaziar de significado algo que estamos tentando expressar.

Analisemos, por exemplo, a palavra “aspect”. O uso dessa palavra está correto quando a empregamos para falar sobre a forma como uma paisagem, um problema ou uma situação pode ser vista: “When looked at from the aspect of Britain’s interests the proposal is unsatisfactory”. Entretanto, quando a palavra é usada com o sentido de “part” ou “consideration”, a frase acaba não tendo um sentido muito claro: “The government must consider the economic aspect”. Esse tipo de uso de substantivos abstratos acaba exigindo que o leitor interprete (e muitas vezes “superinterprete”) o que o autor quer dizer.

Uma forma de evitarmos essa falta de clareza em nossa expressão escrita é nos certificarmos de que estamos utilizando os substantivos abstratos de forma adequada. Isso pode ser feito tanto ao garantirmos que estamos empregando os substantivos abstratos de forma correta (como no primeiro exemplo com a palavra “aspect”) quanto ao tentarmos “bring them down to earth” – isto é, usar substantivos concretos ou mesmo exemplos que possibilitem que o que se entende por aquela ideia ou aquele conceito abstrato fique mais claro.

Outra forma seria evitar o uso de alguns substantivos abstratos simplesmente “rephrasing” aquilo que inicialmente pensamos ou já escrevemos. Na lista a seguir, podemos ver alguns exemplos de substantivos abstratos empregados de formas pouco claras e sugestões de como tornar essas mesmas frases e ideias mais claras:

Attitude – The countries adopted a menacing attitude. The countries started to act menacingly.
Availability – Supplies will be subject to limited availability. Supplies will be limited / scarce.
Basis –  They do it on a regular basis. They do it regularly.
Capability, capacity –  Iraq has a chemical warfare capability/capacity. Iraq has chemical weapons.
Element – There was a rebel element in the village. There were rebels in the village.
Factor –  We must not forget the unemployment factor. We must not forget unemployment.
Level –  The general level of conduct was satisfactory. Generally, conduct was satisfactory.
Manner – He spoke in a reckless manner. He spoke recklessly.
Nature –  They made arrangements of a temporary nature. They made temporary arrangements.

Cheers!

(Adaptado de “Improve your Writing Skills”, Collins, 2009)