ITEM 133 The author argues that the ethical governance of AI’s application in diplomacy is especially critical because its influence may extend beyond technical efficiency to altering the global distribution of political power.

Gabarito preliminar: CERTO

Subsídio para recurso: o item está ERRADO porque o texto não afirma que a influência da IA na diplomacia pode alterar a distribuição global do poder político.

O primeiro parágrafo afirma que, especialmente através de sistemas desenvolvidos em países com prioridades geopolíticas diferentes, a IA pode manipular sutilmente o comportamento humano, aprofundando a divisão tecnológica entre países avançados e aqueles com recursos limitados e reforçando (não alterando) assimetrias globais de poder.

O segundo parágrafo confirma que o item 133 está errado porque afirma que a incorporação da inteligência artificial à diplomacia deve ser governada por estruturas éticas fortes, especialmente quando a tecnologia tem o potencial de moldar as relações globais de poder por meio de negociações sensíveis. Em nenhum momento o texto sugere que a IA altera a distribuição global de poder político; ao contrário, ele enfatiza que a IA tende a reforçar assimetrias já existentes. A expressão usada no texto — “shape global power relations” — indica influência dentro de uma ordem preexistente, não uma transformação estrutural dessa ordem. Portanto, ao afirmar que a influência da IA pode levar à alteração da distribuição global de poder, o item extrapola indevidamente o que o texto argumenta, o que o torna errado.

Comentário crítico: ao ler as referências deste texto, o candidato pode ser levado a crer que está diante de um excerto do texto de Anusha Guru. No entanto, uma análise cuidadosa revela que o texto referenciado foi profundamente modificado pela banca examinadora (veja esta tabela comparativa). Essa prática não é exceção, mas sim uma constante nas provas de primeira fase de inglês do CACD: sob a aparência de “genuinidade textual”, o que é apresentado ao candidato é, na verdade, uma versão reformulada que expressa — com ênfases, omissões, substituições e reordenações — aquilo que o examinador quer que o candidato leia e interprete. Esse processo de adaptação vai muito além de ajustes de linguagem: ele envolve intervenções que alteram nuances argumentativas, reforçam certas ideias em detrimento de outras e, por vezes, possibilitam inferências não possibilitadas pelo texto referenciado (e vice-versa). Portanto, a dificuldade em avaliar esse tipo de item não está apenas na competência linguística do candidato, mas na instabilidade causada por um texto cuja forma e cujo conteúdo são manipulados.

Esse tipo de adaptação compromete a validação da avaliação. Quando o enunciado do item é construído a partir de uma versão reescrita e reinterpretada de um texto referenciado, o que se está testando não é a capacidade de o candidato compreender um texto genuíno (como ele deverá fazer, quando for diplomata), mas sim a habilidade de interpretar uma construção textual intermediada pela banca — com seus próprios filtros ideológicos, suas escolhas lexicais e suas reformulações argumentativas. É preciso que a banca examinadora repense, urgentemente, essa abordagem aos textos de estímulo na prova de inglês de primeira fase.

Caros CACDistas,

Começo, com esta postagem, a comentar alguns dos itens contra os quais acredito caber recurso, considerando o gabarito preliminar publicado em 22/07.

ITEM 123 In the excerpt ‘And we never connected the dots for women themselves to build the constituencies’ (second sentence of the last paragraph) the phrase ‘to build the constituencies’ functions as an adverb that modifies ‘connected’.

Gabrito preliminar: CERTO

Subsídio para recurso: O item está ERRADO porque afirma que a expressão “to build the constituencies” funciona como um advérbio que modifica o verbo “connected”, o que não é possível por duas razões fundamentais: classe de palavras e função sintática.

Primeiramente, advérbio (adverb) é uma classe de palavra — ou seja, um advérbio é uma palavra, como quicklyneverheretherealwaysperhaps. Advérbios podem modificar verbos, adjetivos ou outros advérbios, indicando circunstâncias como modo, tempo, lugar, intensidade, frequência ou causa.

Já “to build the constituencies” é uma oração infinitiva — formada por “to” + verbo no infinitivo (“to build”) seguido de seu objeto direto (“the constituencies”). Não se trata, portanto, de adverb, que é uma classe de palavra. Afirmar que uma oração infinitiva é um advérbio é, portanto, um erro: uma oração não pode ser classificada em uma classe de palavras.

Em segundo lugar, mesmo que analisássemos a expressão do ponto de vista funcional — ou seja, como adverbial (termo que designa qualquer estrutura que exerça função de adverbial, independentemente da classe de palavras) —, o item ainda assim estaria errado. Isso porque a oração “to build the constituencies” integra uma estrutura mais ampla: “for women themselves to build the constituencies”. Essa estrutura é uma oração infinitiva com sujeito expresso (“women themselves”), introduzida pela preposição “for”, e expressa finalidade: indica com que objetivo os “dots” deveriam ter sido conectados.

Assim, o item está errado porque:

– “To build the constituencies” não é “adverb”, como afirma o item — advérbio é classe de palavras, e essa é uma oração infinitiva.

– Essa oração infinitiva nem ao menos é adverbial no contexto.

Assim, do ponto de vista da classe de palavras e da função sintática, o gabarito está incorreto.

Comentário crítico: É preocupante que, em pleno 2025, a banca examinadora continue a elaborar a itens estruturalistas, centrados exclusivamente em aspectos formais da língua, como classes de palavras e funções sintáticas, em uma prova que se propõe a avaliar a competência leitora em inglês para selecionar os “melhores candidatos” (= maiores notas) como diplomatas. Esse tipo de item não oferece evidências válidas sobre a habilidade de interpretação textual do candidato, pois sua resolução depende apenas da análise microestrutural da frase, desvinculada de qualquer compreensão global ou inferencial do texto.

Mais preocupante ainda é o fato de que, além de persistir nesse modelo anacrônico de avaliação, a banca reincide nos mesmos erros de formulação (como se viu, por exemplo, na Q39.3 do CACD 2024), demonstrando, ano após ano, a falta de domínio de conceitos gramaticais, ou seja, do próprio estruturalismo que insiste em avaliar. A permanência desse tipo de falha compromete a qualidade e a validação da avaliação e evidencia a urgência de uma revisão profunda nos métodos de elaboração da prova de inglês.