Aprovado no CACD 2019, Jonathan de Assis Paz Braga fala sobre como se preparou para as provas de inglês do CACD!

Você já tinha conhecimentos avançados da língua inglesa quando começou a estudar para o concurso?

Comecei a fazer um curso regular de inglês aos 15 anos, no Centro Interescolar de Línguas de Brasília, que é uma escola de idiomas pública no Distrito Federal. Apesar da qualidade de muitos professores e da metodologia de ensino, encerrei o curso com grandes problemas estruturais que fizeram muita falta ao longo da minha graduação (Relações Internacionais – UnB) e da experiência internacional em país de língua inglesa (Estados Unidos – 6 semanas). Acredito que meu conhecimento da língua inglesa era intermediário quando iniciei meus estudos para o concurso, mas consegui avançar bastante também com outro curso de inglês voltado ao CACD, embora sentisse que muitos dos problemas iniciais permaneciam.

Qual foi a melhor maneira que você encontrou para estudar vocabulário novo e fixa-lo?

Inicialmente eu seguia a forma mais automática de achar uma palavra diferente e anotar o significado (no caderno ou no texto mesmo), o que permitiu que eu fixasse alguns vocabulários, mas esquecesse a maioria. Depois passei a usar o modelo de banco de palavras disponibilizado pela Selene, o que representou um avanço significativo. A melhor maneira que encontrei foi utilizar o “Anki” tanto para novos vocabulários quanto para novas estruturas. Eu estudava esses cards diariamente, dependendo da facilidade que tinha para lembrar o uso de determinada palavra e seu significado (utilizei esse modelo também para palavras que eu achava que conhecia, mas que percebi que não utilizava da melhor forma). Além disso, o estudo do “Vocabulando Workbook” contribuiu muito para que eu compreendesse melhor a lógica da língua inglesa, algo que pode ser natural para alguns, mas foi uma dificuldade para mim.

Como você estudava collocations, em particular?

Sempre tive muita dificuldade com collocations, pois era uma lógica um pouco estranha para mim. A forma que encontrei de minimizar essa dificuldade foi com o uso do “Anki”, com a função “omissão de palavras”. Assim, eu sempre colocava a palavra e omitia o termo seguinte; junto com essa omissão, eu escrevia também um exemplo, para que fixasse melhor o sentido que aquela palavra carregava ao ser utilizada com determinada preposição ou outro termo, especialmente se considerarmos que muitas palavras têm sentidos diferentes, dependendo do termo que a acompanha (pode parecer bem lógico, mas percebi que caía muito na ilusão de “já conhecer aquela palavra” e ignorava a possibilidade de outros significados, mesmo com palavras muito recorrentes).

Que tipo de exercícios complementares aos simulados (vocabulário, gramática, tradução etc.) você acha imprescindível fazer?

Acho que o mais importante é manter um contato muito frequente com a língua. Eu fiz muitos cards no “Anki” (não é propaganda, mas utilizei muito essa ferramenta) com exercícios de tradução, uso de collocations, tradução de palavras novas, reescritura de trechos com erros na composition e no summary e tudo o que era possível colocar lá. Depois praticava diariamente e não deixava acumular os cards das línguas. Além disso, escutava o Global News Podcast da BBC todos os dias: eu focava na língua, não nos fatos apresentados.

Como você se preparou para a primeira fase do exame? Apenas através da resolução de questões?

Eu fiz e refiz as provas anteriores e mantinha um acompanhamento da pontuação atingida em cada resolução. Fiz também análises do percentual de acertos a observava qual parte estava com mais dificuldade. Além das provas, resolvia também questões do curso da Selene e aproveitei os aprendizados de outros cursos que fiz.

Você tinha alguma estratégia no que diz respeito a deixar respostas em branco?

Sempre tentei deixar o mínimo possível. Inicialmente isso pesou muito para diminuir minha nota, mas com mais tempo de estudo eu passei a errar menos os “chutes”. Só deixava em branco itens que eu realmente não tinha a menor ideia de como pensar em uma resposta objetiva.

Em que ordem você acha aconselhável fazer as tarefas da prova de inglês de segunda fase?

Sempre fiz na seguinte ordem: tradução, versão, composition e summary. Este ano tive que mudar um pouco, pois demorei mais do que esperava na tradução, então fiz a tradução primeiro, depois a composition, o summary e a versão. A versão foi a única que fiz diretamente na folha de resposta, já que não teria tempo para fazer rascunho.

Quanto tempo você acha aconselhável reservar para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

O ideal, com base na minha experiência do último concurso, seria fazer a tradução e a versão em 1h30, a composition em 2h15 e o summary em 1h15.

Como era seu processo para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

Nas traduções, eu lia o texto uma primeira vez e identificava trechos que demandariam um pouco mais de esforço para fazer uma tradução o mais idiomática possível e que mantivesse as informações iniciais. Em seguida, eu fazia um rascunho da resposta e conferia para evitar deixar palavras ou frases de fora, o que já aconteceu comigo durante o curso. Em 2019, eu não consegui fazer um rascunho da versão, pois tive que fazer diretamente na folha de respostas e durante os últimos 30 minutos de prova. Na tradução eu fiz o rascunho, fiz uma leitura rápida para verificar a adequação idiomática e já passava para a folha de resposta. O summary eu fiz da seguinte forma: fiz uma leitura preliminar, para me acostumar com as informações básicas e identificar trechos que eu deveria dar mais atenção para compreender as informações presentes; depois comecei uma segunda leitura e grifei as informações que deveriam estar presentes no resumo; o próximo passo foi focar nos trechos e palavras sublinhadas e rascunhar meu resumo; por fim, eu lia meu esboço de resumo, eliminava os erros que conseguia identificar e passava para a folha de respostas, fazendo ajustes de estrutura e de organização, quando necessários. A composition eu começava escrevendo no topo da página qual a pergunta que deveria ser respondida, conforme o comando da questão, depois eu escrevia a frase que iniciaria meu texto (pensava em uma frase genérica e que introduzisse o tema a ser abordado) e, em seguida, eu escrevia um esboço da minha “thesis statement”, pois eu precisaria fazer ajustes após definir o que seria abordado em cada parágrafo do desenvolvimento. Após definir os parágrafos de argumento (com as respectivas “topic sentences”) eu finalizava a tese e começava a escrever o rascunho da minha redação. Com o rascunho finalizado, eu busquei concluir o texto com uma referência à tese e aos parágrafos argumentativos, corrigi os erros formais que conseguia identificar e passava para a folha de respostas. Em nenhum momento eu me preocupei com o uso de “fancy structures”, eu busquei simplificar ao máximo e, quando identificava uma oportunidade de usar um vocabulário ou expressão que aprendi, busquei adequar essas expressões ao meu texto, não o contrário.

Alguma dica de ouro para os candidatos?

Recomendo dar mais atenção ao quesito “organização do texto e desenvolvimento do tema” antes de focar tanto na parte formal, pois um texto mal estruturado prejudica muito a capacidade de reduzir os erros formais. Não quero dizer que um quesito é mais importante que o outro, mas, no meu caso, só consegui avançar na parte formal após melhorar a organização do meu texto. Além disso, recomendo cercar-se de pessoas que contribuam para o seu avanço nos estudos, pessoas que estão realmente comprometidas com a aprovação e que podem te ajudar muito no processo de auto-conhecimento (no sentido de identificar o que funciona melhor para você tanto no que se refere a técnicas de estudos quanto nas escolhas que fazemos ao longo da preparação).